Home / Política Internacional / COP30: Japão pede ao Brasil extradição de Paul Watson

COP30: Japão pede ao Brasil extradição de Paul Watson

COP30: Japão pede ao Brasil extradição de Paul Watson

Às vésperas da COP30, o Japão faz uma nova demanda ao Brasil: a extradição de Paul Watson. O fundador da Sea Shepherd, reconhecido por sua atuação contra a caça de baleias, volta a ser alvo do governo japonês, agora em território brasileiro. O caso reacende uma perseguição política que já dura mais de 15 anos e coloca o país diante de uma decisão importante sobre a proteção de defensores ambientais.

Entenda a perseguição

Em plena Conferência do Clima da ONU (COP30), o ambientalista canadense Paul Watson enfrenta mais uma investida jurídica do governo japonês. A Embaixada do Japão enviou ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil um pedido oficial de extradição, solicitando que o ativista seja entregue às autoridades japonesas.

A medida reacende um conflito que se arrasta há mais de quinze anos e é considerado por especialistas como um processo de natureza política. Desde 2010, após confrontos com a frota baleeira japonesa no Oceano Antártico, o Japão tenta enquadrar Watson como criminoso por motivos banais, em uma retaliação às ações diretas de proteção às baleias.

O governo japonês está usando todo o seu poder para defender a caça ilegal às baleias e para me punir. Tudo o que conseguirão é expor ainda mais sua natureza criminosa, sua ganância desmedida e seu compromisso imoral em destruir a diversidade da vida no oceano — Paul Watson

Por que o Japão persegue Paul Watson?

Antes da moratória global da International Whaling Commission (IWC), em vigor desde 1986, o Japão já mantinha uma indústria baleeira ativa. Após a moratória, o país continuou a operar sob o pretexto de “pesquisa científica” – apesar de seguir comercializando carne de baleia –, explorando uma brecha na moratória.

Sob a liderança de Paul Watson, a Sea Shepherd documentou e denunciou ao mundo essa prática, mostrando que a caça ocorria em águas protegidas, como o Southern Ocean Whale Sanctuary, instituído pela IWC em 1994. As ações diretas da organização exerceram forte pressão internacional sobre o Japão, culminando em 2014 com uma decisão da Corte Internacional de Justiça (ICJ) que concluiu que o programa japonês não possuía caráter científico legítimo.

Cronologia da perseguição

Em 2012, o Japão, juntamente com a Costa Rica, conseguiu incluir o nome de Paul Watson na lista vermelha da INTERPOL, normalmente utilizada para assassinos em série, traficantes e pessoas de alto nível de periculosidade. A inclusão foi criticada como uso indevido do sistema internacional para fins políticos.

Em julho de 2024, Watson foi preso em Nuuk (Groenlândia), a partir de um mandado japonês baseado no alerta da INTERPOL. Após cinco meses na cadeia, em dezembro de 2024, o governo dinamarquês decidiu não extraditá-lo ao Japão, citando falta de garantias de cumprimento de pena e os prazos decorridos. Watson foi liberado naquele mês e retornou à França. Em julho de 2025, a INTERPOL removeu oficialmente o Alerta Vermelho, alegando desproporcionalidade da acusação e motivação política do Japão.

Ainda assim, tudo indica que o Japão continuará a emitir pedidos bilaterais de extradição, que independentemente da INTERPOL, dependem da decisão soberana de cada Estado-membro – como a demanda que acabou de enviar ao Brasil.

Brasil pode tomar decisão histórica

A reapresentação do pedido de extradição às vésperas da COP30 pode ser vista como uma manobra de pressão diplomática sobre a imagem do Brasil em relação ao ativismo ambiental. A defesa de Watson no Brasil já protocolou um Habeas corpus preventivo para garantir a sua liberdade e segurança no país.

Organizações ambientais e líderes da sociedade civil pedem que o Brasil não ceda à pressão estrangeira e reafirme seu papel como protetor da vida marinha e dos defensores ambientais.

Proteger quem protege o planeta é um dever ético e jurídico. Às vésperas de um dos eventos mais importantes no combate à crise climática e após todo o embate jurídico já finalizado, receber este novo pedido de extradição de um dos maiores defensores do meio ambiente no mundo é um grande desrespeito ao planeta, à humanidade e a todos os demais seres que vivem na Terra — Nathalie Gil, presidente da Sea Shepherd Brasil

Marcado:

Deixe um Comentário