Empresas brasileiras que investem em Inteligência Artificial (IA) ainda enfrentam um desafio: a falta de preparo das equipes para usar a tecnologia de forma estratégica. Segundo a pesquisa Panorama 2025 da Amcham, apenas 28% das organizações se consideram prontas para usar IA de forma eficaz.
Para Gustavo Torrente, Head de B2B & Technical Solutions da Alura + FIAP Para Empresas, a adoção bem-sucedida da IA depende do desenvolvimento do “letramento em IA”, ou seja, da capacidade dos profissionais de compreender, operar e avaliar criticamente a tecnologia.
Quando um colaborador é treinado para pensar criticamente no uso da IA, ele deixa de aceitar respostas passivamente e passa a identificar oportunidades reais de inovação, além de reduzir riscos e vieses. É esse tipo de preparo que diferencia empresas que realmente colhem resultados com inteligência artificial daquelas que apenas a utilizam de forma superficial.
— Gustavo Torrente, Head de B2B & Technical Solutions da Alura + FIAP Para Empresas
Pilares para o letramento em IA
Para desenvolver o letramento em IA nas organizações, Torrente destaca quatro pilares essenciais:
Entender os fundamentos
O primeiro passo é aprofundar o conhecimento sobre conceitos básicos de IA, como machine learning, modelos de linguagem (LLMs), dados e algoritmos.
Compreender o que está por trás da tecnologia cria familiaridade e capacita os times a operá-la com mais eficiência.
— Gustavo Torrente, Head de B2B & Technical Solutions da Alura + FIAP Para Empresas
Além disso, o especialista lembra que a governança de dados é crucial. Muitas empresas investem em IA sem estruturar seus dados. “A IA é tão boa quanto os dados que a alimentam”, reforça.
Aprender sobre a aplicação
Após a teoria, vem a prática. Os colaboradores precisam entender como integrar a IA às rotinas de trabalho. A engenharia de prompt é destaque nesta etapa.
Saber formular e integrar comandos claros e estratégicos é determinante para extrair o máximo potencial das ferramentas, garantindo resultados alinhados aos objetivos da empresa.
— Gustavo Torrente, Head de B2B & Technical Solutions da Alura + FIAP Para Empresas
Avaliação crítica
Capacitar equipes para analisar a validade e os vieses das respostas geradas é essencial. Isso envolve revisar dados, identificar “alucinações” (quando a IA cria informações) e reformular comandos.
O papel principal dos humanos em uma operação baseada em IA é guiar, mas também avaliar os resultados e informações gerados. Essa é a razão pela qual essa ferramenta não substitui uma pessoa real. Somos nós que possuímos o pensamento crítico necessário para revisar o que é produzido.
— Gustavo Torrente, Head de B2B & Technical Solutions da Alura + FIAP Para Empresas
Governança ética e de segurança
Por fim, instruir sobre as implicações éticas, legais e de segurança no uso da IA. A proteção de dados e o uso responsável da IA precisam estar alinhados às normas de compliance e privacidade.
A partir desse entendimento, os colaboradores poderão evitar vazamentos de informações e promover o uso responsável e seguro da tecnologia, alinhado às normas e boas práticas de proteção de dados.
— Gustavo Torrente, Head de B2B & Technical Solutions da Alura + FIAP Para Empresas
Além dos treinamentos, Torrente alerta que a maturidade em IA também depende da capacitação das lideranças.
Muitos C-Levels ainda não passaram por treinamentos formais em IA. Sem líderes preparados, é difícil criar uma cultura de aprendizado contínuo e inovação. A maior barreira não está na resistência dos times, e sim na falta de direção estratégica das lideranças.
— Gustavo Torrente, Head de B2B & Technical Solutions da Alura + FIAP Para Empresas






