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Amazon zera taxas e acirra competição no e-commerce brasileiro

Caixa da Amazon com logo da empresa e fundo com cores vibrantes.

A Amazon anunciou uma medida inédita: zerar, até dezembro, todas as taxas logísticas do programa Fulfillment by Amazon (FBA) no Brasil. Essa ação, a primeira desse tipo em todos os países onde a empresa atua, ocorre em um momento de acirrada disputa com Mercado Livre e Shopee, especialmente na busca por vendedores antes da Black Friday. Trata-se de um movimento inédito no e-commerce brasileiro.

Estratégia agressiva para atrair vendedores

Rodrigo Garcia, diretor-executivo da Petina, analisa a estratégia e destaca o impacto dessa guerra entre gigantes: “A Amazon está abrindo mão de receita em seu pico de faturamento para conquistar o ativo mais disputado do e-commerce hoje: o vendedor. É uma jogada comercial muito agressiva e cirúrgica.”

Para ele, a concorrência tende a beneficiar todo o ecossistema, reduzindo custos para os lojistas e melhorando as condições para os consumidores.

FBA: Amazon abre mão de receita para ganhar mercado

A Amazon decidiu dar um passo inédito em sua operação global e anunciou que vai zerar as taxas de armazenagem e envio cobradas de lojistas que utilizam o Fulfillment by Amazon (FBA) no Brasil até dezembro. A plataforma, que em um relatório da Conversion divulgado em maio de 2024, registrou 195 milhões de acessos, fica em terceiro lugar no ranking de e-commerces mais acessados, atrás de Mercado Livre e Shopee. Essa estratégia, então, marca uma mudança de postura da companhia no país e reforça a disputa cada vez mais acirrada pelo controle do ecossistema de vendedores.

O FBA é o programa em que a Amazon assume toda a parte logística, da estocagem ao envio e atendimento pós-venda, e costuma ser uma das principais fontes de receita da empresa junto aos sellers. Com a isenção temporária, a companhia abre mão de ganhos relevantes em plena temporada de Black Friday e Natal, período de maior volume de vendas do ano, em troca de aumentar sua base de lojistas parceiros.

É uma ação que nunca havia sido feita em nenhum país. A Amazon está abrindo mão de receita em seu pico de faturamento para conquistar o ativo mais disputado do e-commerce hoje: o vendedor.

— Rodrigo Garcia, diretor-executivo da Petina Soluções

Segundo Garcia, o plano vai além da isenção logística. “Quem nunca utilizou o FBA também deve ter isenção de comissão por um período inicial. E há um incentivo adicional: quem reinvestir parte das vendas em mídia dentro da plataforma pode estender o benefício. É uma jogada comercial muito agressiva e cirúrgica”, explica.

Aquece a competição por vendedores

O movimento da Amazon ocorre em um momento em que o Mercado Livre e a Shopee já travam uma disputa intensa por vendedores independentes e pequenas marcas. Em agosto, o Mercado Livre reduziu o valor mínimo para frete grátis de R$ 79 para R$ 19, em resposta direta à Shopee, que oferece envio gratuito em compras a partir de R$ 19 e, em campanhas promocionais nas datas duplas — 9.9, 10.10 e 11.11 —, reduz esse limite para R$ 10, fortalecendo ainda mais seu apelo entre consumidores sensíveis a preço.

“Essas plataformas estão se espelhando umas nas outras e ajustando as táticas rapidamente. O que a Shopee faz em afiliados, o Mercado Livre replica em semanas; agora, a Amazon adota a mesma lógica de incentivos agressivos. A diferença é que ela está entrando para valer”, afirma Garcia.

Para o executivo, a nova rodada da disputa tende a beneficiar tanto os lojistas quanto os consumidores. “A competição força as plataformas a oferecerem melhores condições e serviços. No fim, quem ganha é o ecossistema: o vendedor paga menos e o comprador recebe mais opções, com prazos e preços melhores.”

Visão de longo prazo

Apesar do impacto imediato nas margens, a ofensiva da Amazon é vista como uma investida de posicionamento. A empresa tem avançado gradualmente em operações de last mile e ampliação de centros de distribuição no Brasil, o que permite bancar ações promocionais de maior escala sem comprometer a eficiência logística.

O timing é perfeito. A Amazon quer consolidar presença antes da Black Friday, quando milhares de novos vendedores entram no e-commerce. Se conseguir atrair parte deles agora, cria um efeito de fidelização para o próximo ciclo.

— Rodrigo Garcia, diretor-executivo da Petina Soluções

O recado, segundo o especialista, é claro: “A guerra entre Mercado Livre e Shopee agora ganhou um terceiro competidor de peso. E, desta vez, a Amazon não está apenas testando o mercado, está entrando de cabeça”, finaliza.

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