Apaixonados pela cultura nipônica, em especial pela culinária, podem agora se deliciar com os dorayakis. Os famosos sanduíches de panquecas recheadas com anko, a pasta doce de feijão vermelho, carregam séculos de história e simbolismo.
A Editora Morro Branco lançou no Brasil o livro “Doce Tóquio”, um best-seller japonês. Cada página convida à contemplação, à paciência e à empatia.
Durian Sukegawa transforma o ato de cozinhar em uma metáfora poderosa sobre cura emocional, escuta e afeto.
Uma jornada de cura e afeto na capital japonesa
Entre panelas, memórias e silêncios, o leitor acompanha a relação entre um confeiteiro solitário e uma senhora experiente. Ela ensina que o segredo de um bom doce está no coração de quem o prepara, e não apenas na técnica.
As páginas de “Doce Tóquio” são repletas de aromas, texturas e sentimentos. A obra apresenta um retrato poético da rotina japonesa e da arte de encontrar beleza nas pequenas coisas.
Cada cena se revela como um ritual: o cuidado com o feijão, o tempo de cozimento e o gesto de oferecer um doce feito com alma. Ideal para quem encontra prazer na cozinha, na cultura japonesa ou em histórias que aquecem o coração, esta leitura desperta os sentidos e o apetite por uma vida mais atenta, leve e saborosa.
A trama e os personagens de Doce Tóquio
Com as ruas da capital japonesa como cenário e o aroma de dorayakis no ar, “Doce Tóquio” transforma ingredientes em metáforas. A obra aborda temas como escuta, afeto, cura e os ciclos da vida. O livro acompanha Sentaro, um homem solitário e desmotivado, proprietário de uma pequena confeitaria, que vive quase no piloto automático.
No entanto, sua rotina muda ao conhecer Tokue Yoshii, uma senhora de 76 anos com mãos marcadas pela hanseníase. Apesar de sua história triste, ela possui um talento raro para preparar anko, a tradicional pasta de feijão.
Laços improváveis e histórias compartilhadas
Aos poucos, o café se torna um ponto de encontro entre Sentaro, Tokue e Wakana, uma jovem estudante que encontra ali refúgio. Em meio ao preparo dos doces e às conversas, laços fortes são criados. Cada dorayaki servido carrega o sabor de histórias compartilhadas e de recomeços.
Eu não conheço ninguém no mundo além da minha irmã mais nova, com quem não tenho mais contato. Agora que não sei por quanto tempo ainda vou viver, sinto que o senhor e Wakana-chan são a minha família.
— Doce Tóquio, p. 82
Conforme as estações passam, o leitor percebe que, assim como os feijões precisam de tempo e cuidado, os vínculos humanos florescem na presença do outro. Em silêncio, os personagens aprendem que cozinhar também é uma forma de sentir.
Uma reflexão sobre temas importantes
Além da história de amizade, Durian Sukegawa traz à tona temas como exclusão social, culpa, redenção e memória afetiva. Ao revelar as feridas dos personagens, o autor convida a refletir sobre o poder da escuta e da empatia.
Com tradução direta do japonês por Sandra Keika, “Doce Tóquio” é uma ficção de cura recomendada para quem busca histórias capazes de tocar o coração. Uma receita delicada de ternura e transformação.




