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Aprovação de Operação Policial no Rio: 40% Justificam Mortes

Aprovação de Operação Policial no Rio: 40% Justificam Mortes

Uma pesquisa recente da Ipsos-Ipec, realizada entre 6 e 10 de novembro de 2025, investigou a opinião dos brasileiros sobre a operação policial ocorrida em 28 de outubro nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. Os resultados mostram um cenário de aprovação majoritária, mas com ressalvas importantes em relação à letalidade da ação.

Aprovação e Desaprovação da Operação

A maioria dos brasileiros (69%) demonstrou aprovação à operação policial. No entanto, 22% desaprovam, 4% não aprovam nem desaprovam, e 5% não responderam à pergunta. A aprovação é mais expressiva na região Norte/Centro-Oeste (77%).

Além disso, a pesquisa aponta uma correlação significativa com o posicionamento político. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, a aprovação atinge 83%, enquanto entre os eleitores de Lula, o índice é de 61%.

Justificativa para a Letalidade

Questionados sobre o alto número de mortes resultantes da operação, as opiniões se dividem. Assim, 40% dos entrevistados consideram o alto número de mortes totalmente justificável, pois demonstra uma ação forte do Estado. Por outro lado, 25% acham que é parcialmente justificável, reconhecendo a boa intenção, mas se mostrando preocupados com o número de mortes. Já 28% classificam como injustificável, apontando para um fracasso da política de segurança e uma violação dos direitos humanos. Os 7% restantes não responderam à pergunta.

Somando as duas primeiras categorias, 65% da população considera total ou parcialmente justificável a elevada letalidade. Essa opinião é mais forte entre os eleitores de Bolsonaro em 2022 (80%), moradores da região Norte/Centro-Oeste (74%), brasileiros com renda familiar superior a 5 salários mínimos (74%), homens (70%) e os mais instruídos (70%). A visão de que as mortes são injustificáveis é mais forte entre os que desaprovam a operação (73%) e os eleitores de Lula (41%).

Opinião sobre a Autorização da Operação

Ainda de acordo com a pesquisa, 67% dos brasileiros acreditam que o Governo do Estado do Rio de Janeiro acertou ao autorizar a operação. Enquanto isso, 24% acham que errou, 3% que não acertou nem errou, e 7% não souberam opinar. Novamente, a visão dos eleitores de Bolsonaro difere da dos eleitores de Lula: 83% dos que votaram no ex-presidente dizem que o governo acertou, contra 57% dos que votaram em Lula.

Uso da Força e Resultados da Operação

A pesquisa também avaliou a percepção sobre os métodos utilizados pela polícia durante a operação. Para 55% da população, o uso da força pela polícia foi considerado adequado. No entanto, 27% avaliam a ação como exagerada, um sentimento mais presente entre os eleitores de Lula (37%) e os jovens de 16 a 24 anos (35%). Além disso, 12% acreditam que o uso da força foi insuficiente e 7% não opinaram.

Expectativas para o Futuro

A maioria dos brasileiros se mostra otimista em relação aos resultados da operação. Dessa forma, 58% acreditam que a operação vai ajudar na redução da criminalidade no Rio de Janeiro, enquanto 37% acham que não vai ajudar e 5% não responderam. Os eleitores de Bolsonaro e os homens se mostram mais otimistas com o impacto da operação, com 71% e 64%, respectivamente, acreditando que vai ajudar.

A avaliação geral do resultado da operação, pensando no longo prazo, é majoritariamente positiva: 61% dos brasileiros a consideram muito positiva ou mais positiva do que negativa, em contrapartida a 34% que a veem como muito negativa ou mais negativa do que positiva; 6% preferiram não responder. A percepção positiva da operação é mais evidente entre os eleitores de Bolsonaro (77%) e entre os homens (68%), enquanto a visão mais negativa se sobressai entre jovens de 16 a 24 anos (45%) e os eleitores de Lula (44%).

Os dados mostram uma sociedade que, em sua maioria, anseia por ações de segurança mais firmes e apoia a iniciativa do governo. No entanto, há uma diferença clara quando analisamos os recortes políticos da pesquisa. Além disso, percebemos que embora uma boa parte da população enxergue a operação como um sucesso e o número de mortos algo totalmente justificável, um contingente importante demostra certa preocupação com a alta taxa de letalidade da ação ou entende que ela reflete o fracasso da política de segurança e a violação dos direitos humanos. Isso demostra os complexos desafios da segurança pública no Brasil.

— Patricia Pavanelli, diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec

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