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Imortalidade e ética: escritor questiona limites da ciência em novo livro

Imortalidade e ética: escritor questiona limites da ciência em novo livro

No Brasil distópico de “Ascensão Imortal”, segundo livro de trilogia do escritor Sebastian Dumon, a ciência revela o segredo da imortalidade: alimentar-se de sangue humano. A partir dessa metáfora sombria, o autor provoca reflexões sobre desigualdades e riscos éticos.

A trama distópica de ‘Ascensão Imortal’

Com uma escrita que combina filosofia e ficção científica, Dumon questiona até onde o ser humano estaria disposto a ir em nome da vida eterna. A trama se desenrola em um cenário onde um vírus ancestral concede a imortalidade a alguns, que precisam de sangue humano para sobreviver, manipulando a sociedade nas sombras.

No segundo livro da saga, o protagonista Lucas Moretti é transformado em imortal e se torna peça-chave de um projeto revolucionário chamado Renascer. Clínicas se espalham pelo mundo, impulsionando a criação de leis para controlar o comércio de sangue.

A ética em xeque

Uma descoberta científica que nasceu com uma premissa ética logo se transforma em uma arma. Uma nova elite ganha força e “Fazendas de Sangue” são criadas, explorando pessoas como fontes de sangue. Países aprovam legislações abusivas que beneficiam os Aprimorados, os imortais que caminham sobre a terra.

Nesta distopia, Lucas se une a outros personagens na tentativa de combater os avanços violentos promovidos pelas elites. Entre eles estão Ana, médica ganhadora do Prêmio Nobel, João, hacker, e Mariana, que vivenciou a devastação causada pela imortalidade.

A iminência de novas leis

Imbuídos por essa nova perspectiva e pela agitação política, as pessoas se mobilizam, enquanto o Brasil se vê à beira de um novo desafio legislativo. O Congresso Nacional está prestes a votar uma série de legislações que, assim como no Canadá, tornariam obrigatória a venda ou doação de uma cota mensal de sangue para todos os cidadãos não aprimorados. Além disso, as Fazendas de Sangue estão prontas para regulamentação em território brasileiro.

Com uma narrativa repleta de reviravoltas e um ritmo intenso, Sebastian Dumon constrói uma história que, apesar de fictícia, se assemelha à realidade. Baseada em uma ciência que avança a cada dia, a saga reflete sobre os limites da ética e questiona o futuro de uma sociedade tecnológica, mas ainda desigual.

O conceito de imortais já foi exaustivamente abordado na literatura. Então eu tentei dar uma roupagem mais realista, mais científica, desprovida de todos os elementos sobrenaturais da mitologia tradicional. Também busquei induzir o leitor a uma reflexão sobre a nossa sociedade e sobre a forma como ela reagiria a algo como uma cura para todas as enfermidades. Até que ponto estaríamos dispostos a ceder em nome disso?

— Sebastian Dumon, escritor

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