Empresas que ainda dependem de planilhas e processos manuais em finanças estão perdendo competitividade e dinheiro. De acordo com Franklin Tomich, fundador da Accordia, a automação de FP&A deixou de ser tendência e virou imperativo, sendo que manter processos manuais significa pagar um imposto invisível de ineficiência todos os meses.
Impacto dos processos manuais nas finanças
As áreas de finanças, controladoria e planejamento enfrentam um paradoxo recorrente nas médias e grandes empresas brasileiras. Apesar da pressão por eficiência e tomada de decisão ágil, muitas organizações ainda operam com processos manuais e planilhas descentralizadas, resultando em fechamentos mensais longos e pouco confiáveis. Essa prática cria um custo de oportunidade invisível, corroendo a competitividade sem aparecer nos balanços.
No mundo corporativo atual, em que a volatilidade econômica exige respostas rápidas, perder tempo com tarefas operacionais significa abrir mão de resultados estratégicos.
Estudos recentes reforçam a gravidade desse cenário. Segundo a Deloitte (2024), profissionais da área financeira gastam em média 75% do tempo em tarefas de coleta e consolidação de dados, deixando pouco espaço para análises preditivas e planejamento estratégico.
Decisões estratégicas em risco
Isso explica porque, de acordo com a pesquisa CFO Survey 2024 da PwC, quase metade dos líderes financeiros brasileiros reconhece que a indisponibilidade de informações em tempo real compromete ajustes em preços, negociações críticas e a antecipação de riscos de liquidez. Em um ambiente em que margens são pressionadas pela alta dos custos e pela concorrência global, decisões lentas têm impacto direto sobre o valor das empresas.
Há quem sustente que a manutenção de controles manuais garante maior confiabilidade, mas essa percepção já não se confirma diante da realidade. Relatório do Institute of Management Accountants (IMA, 2023) mostra que erros em planilhas são responsáveis por até 90% das inconsistências em relatórios financeiros. Além disso, auditores vêm alertando que estruturas fragmentadas de dados ampliam a vulnerabilidade a falhas e fraudes, além de dificultarem o compliance regulatório em setores cada vez mais exigentes, como o financeiro e o de energia. Assim, aquilo que é visto como “maior controle” torna-se, na prática, um risco operacional e reputacional.
Custos indiretos e a automação como solução
Outro ponto frequentemente negligenciado é o custo indireto da lentidão. Fechamentos demorados significam decisões tomadas com base em cenários defasados, o que afeta desde o planejamento de fluxo de caixa até a definição de investimentos.
Em um contexto como o do Brasil, com taxa básica de juros ainda em patamares elevados (10,25% ao ano, segundo o Banco Central em setembro de 2025), perder a chance de renegociar dívidas ou de realocar recursos com agilidade pode significar milhões de reais desperdiçados. Atrasar um ajuste de preço em semanas, por exemplo, pode comprometer margens em mercados de alta volatilidade, como o de alimentos e combustíveis.
Vantagens da automação
É nesse ponto que a automação de processos financeiros ganha relevância estratégica. Ao centralizar dados, reduzir o tempo de consolidação de informações e liberar equipes para atividades analíticas, as empresas não apenas tornam seus relatórios mais confiáveis, mas transformam o papel da área financeira em agente de valor. Essa mudança possibilita, por exemplo, análises de cenários em tempo real, identificação precoce de riscos e uma visão integrada da performance corporativa. De acordo com a McKinsey (2024), empresas que automatizam processos financeiros reduzem em até 40% os custos administrativos e aumentam em 20% a capacidade de prever resultados futuros.
Ignorar essa transformação significa assumir, conscientemente, um imposto invisível de ineficiência. Cada hora investida em processos manuais é uma oportunidade perdida de direcionar o negócio para decisões estratégicas de crescimento, sustentabilidade e inovação. A digitalização financeira deixou de ser uma tendência para se tornar imperativo competitivo. Empresas que continuam presas a rotinas ultrapassadas arriscam ficar para trás em um mercado que cobra agilidade, precisão e visão de futuro. Já aquelas que entendem a urgência da mudança estarão mais preparadas para crescer de forma sustentável e capturar oportunidades em um ambiente econômico desafiador.
A digitalização financeira deixou de ser uma tendência para se tornar imperativo competitivo.
— Franklin Tomich, fundador da Accordia






