Um talento brasileiro está ganhando destaque na aviação mundial. Giuliano Podalka, CEO do HIPE Innovation Center e da Pacer, criou uma solução tecnológica inovadora para transformar o controle de bagagem de mão nos aeroportos. Ele apresentou sua tese de mestrado na Embry Riddle Aeronautical University, nos Estados Unidos, com o tema “Automatizando o controle de bagagem de mão: Análise operacional e financeira de um estudo de caso brasileiro”.
Foco na experiência do passageiro
A pesquisa abordou a adoção de soluções automatizadas para reduzir problemas relacionados à bagagem irregular, um dos maiores desafios do setor aéreo atualmente. “A motivação surgiu da necessidade de melhorar a experiência do passageiro e diminuir os atrasos de voo, que hoje causam perdas financeiras significativas para as companhias aéreas”, explica Podalka.
Durante cerca de dois anos, o desenvolvimento do trabalho envolveu disciplinas como liderança, análise de dados, gestão operacional, economia, segurança e estratégias de negócios. Essa base de conhecimento orientou a construção da tese, defendida em Daytona Beach, na Flórida, na Embry Riddle.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa utilizou uma triangulação de dados, combinando informações de uma solução automatizada própria, o Pacer BagScan, entrevistas com executivos das principais companhias aéreas brasileiras (Azul, Gol e Latam) e análise de documentos técnicos.
Pacer BagScan: solução inovadora
O produto desenvolvido, o Pacer BagScan, nasceu de uma experiência internacional, quando a diretora da Lufthansa questionou a possibilidade de rastrear bagagens de mão com a mesma tecnologia usada para passageiros. Assim, Giuliano criou um sistema capaz de impedir que bagagens de dimensões elevadas cheguem até o portão de embarque, detectando e eliminando irregularidades antes que elas gerem problemas na operação.
Dados coletados em testes realizados em setembro de 2025 indicam que aproximadamente 6,8% das bagagens de grandes dimensões levadas pelos passageiros no aeroporto chegavam ao portão de embarque. Para o sistema nacional, isso equivale a cerca de 18.800 bagagens por dia e um impacto financeiro de aproximadamente US$ 34 milhões anuais para o setor de aviação brasileiro. Além da perda de receita, as bagagens irregulares contribuem para atrasos nas operações. Uma companhia aérea relatou até 24 horas de atraso mensal devido a problemas na bagagem.
A tecnologia não visa punir os passageiros, mas sim identificar quem viola as regras de forma automatizada, trazendo mais organização e agilidade ao processo de embarque. Numa perspectiva maior, a solução promete melhorar a eficiência operacional, liberar recursos e abrir novas oportunidades de rotas.
— Giuliano Podalka, CEO do HIPE Innovation Center e da Pacer
Próximos passos
Os próximos passos incluem uma prova de conceito (PoC) que começará em novembro em um importante aeroporto do Brasil, com a participação de uma das maiores companhias aéreas nacionais. “Os testes de setembro foram considerados um sucesso e a expectativa é que a tecnologia contribua para uma gestão mais eficiente das bagagens, além de gerar impacto financeiro positivo para o setor”, complementa.
Com mais de 25 anos de experiência no setor, Podalka atuou nas áreas de aeroportos, qualidade, gestão aeroportuária, TI e inovação. Foi Gerente de aeroportos da LATAM e Gerente Sênior de Inovação na Azul Linhas Aéreas, liderando projetos que transformaram a operação e a experiência do cliente no ambiente aeroportuário.
Atualmente, Podalka é CEO da Pacer, empresa que vem expandindo suas soluções além do Brasil, com destaque para o Tapete Digital, já presente também na Europa. Sob sua liderança, a PACER desenvolve produtos inovadores que estão redefinindo a experiência aeroportuária, como o embarque biométrico, o Pacer Flex e o BagScan.






