Nos processos seletivos, a primeira análise do currículo já é feita por algoritmos. Com a popularização dos sistemas automáticos de triagem (ATS), ferramentas de inteligência artificial decidem quais perfis chegam aos recrutadores, com base em palavras-chave e critérios pré-definidos.
Como funcionam os algoritmos de seleção?
Palomma Contatore, CHRO do Grupo Alun, explica que o sistema funciona por correspondência de informações. “Quando uma vaga é aberta, os requisitos técnicos e comportamentais são transformados em parâmetros. A IA cruza esses dados com as palavras do currículo e atribui pontuações”.
Após extrair dados pessoais, experiências, formações e competências, o sistema compara os termos com os requisitos da vaga e gera um ranking automático. Em muitos casos, empresas personalizam os “pesos” de cada critério para priorizar experiências ou habilidades.
A importância das palavras-chave
A escolha dos termos certos pode definir o destino de um currículo. “É como o ditado: quem não é visto, não é lembrado. Se o documento não contém as palavras-chave certas, ele pode não chegar ao recrutador”, alerta Luiz Leardine, Head de Recrutamento e Seleção do Grupo Alun.
Recomenda-se analisar a descrição da vaga e identificar os principais termos técnicos e comportamentais, como “Python”, “People Analytics” ou “liderança de equipes”. Ferramentas de IA generativa, como ChatGPT e Rezi, podem sugerir e incorporar esses termos de forma natural. Outra estratégia é observar currículos e perfis de profissionais que já ocupam cargos semelhantes para entender a linguagem usada no mercado.
O design do currículo e a IA
Currículos visualmente elaborados agradam aos olhos humanos, mas confundem os algoritmos. Elementos como gráficos, colunas, caixas de texto, fontes estilizadas e imagens podem impedir que o ATS “leia” as informações corretamente. Por isso, o ideal é manter versões simples e compatíveis com os sistemas, em formatos .docx ou PDF sem elementos visuais complexos.
LinkedIn como ferramenta de recrutamento
Mesmo não sendo um ATS, o LinkedIn é hoje a principal plataforma de recrutamento global e opera com lógica semelhante: palavras-chave. Recrutadores utilizam licenças avançadas que permitem buscas booleanas ou comandos em linguagem natural apoiados por IA.
Buscas como “Desenvolvedor Java” ou “Python” filtram apenas perfis que contenham exatamente esses termos. Por isso, manter o perfil atualizado e otimizado é essencial para aumentar as chances de aparecer nas buscas.
Personalização e padronização do currículo
Uma boa estratégia é manter modelos padronizados e adaptá-los para cada vaga, ajustando termos e experiências conforme as exigências. Além do LinkedIn, plataformas como Gupy e Solides ajudam a identificar os termos mais frequentes em cada área, facilitando a personalização sem comprometer a leitura automática.
Responsabilidade das empresas
A adoção de IA em processos seletivos levanta alertas sobre transparência. “A inteligência artificial é treinada por humanos e isso pode introduzir vieses que comprometem o processo. Por isso, as empresas precisam revisar constantemente seus algoritmos e manter a análise humana como parte essencial do processo”, reforça Palomma Contatore.
Entre as situações mais comuns em que bons profissionais são descartados, estão: ausência das palavras exatas buscadas, formatos incompatíveis e vieses implícitos relacionados a nome ou origem.
Dicas para profissionais em transição de carreira
Para quem está migrando de área existem mais obstáculos, mas esse profissional pode se destacar ao evidenciar competências transferíveis no resumo do currículo. Vale usar termos do novo mercado e adaptar experiências anteriores com apoio de ferramentas de IA generativa.
Com tecnologias cada vez mais sofisticadas, recrutadores podem fazer buscas conversacionais e encontrar candidatos de forma mais ágil e assertiva, reduzindo o tempo de seleção e aumentando a precisão nas contratações.
O objetivo da tecnologia é liberar tempo para que possamos ser mais humanos nas decisões. A IA não vem para substituir, mas para potencializar a capacidade dos times de recrutamento.
— Palomma Contatore, CHRO do Grupo Alun






