O Brasil tem visto um aumento nas contratações via Pessoa Jurídica (PJ). Empresas buscam flexibilidade e profissionais almejam salários maiores. Contudo, essa equação nem sempre se concretiza. Segundo o consultor financeiro e de carreira Robson Profeta, muitos aceitam propostas PJ sem calcular os prejuízos ao fim do ano.
A armadilha do salário PJ
A confusão é grande: 8 em cada 10 brasileiros não sabem calcular a diferença entre CLT e PJ. “A pessoa vê um salário de PJ aparentemente mais alto, mas ignora férias, 13º, FGTS, benefícios isentos de impostos e até custos operacionais que ela nunca teve. No fim das contas, muitas vezes ganha menos que na CLT”, explica Profeta.
Afinal, vale a pena virar PJ? A resposta está nos cálculos. Um PJ de R$ 20 mil pode valer menos que um CLT de R$ 15 mil, dependendo dos benefícios e da carga tributária. “O valor que chega na conta engana. O que importa é o total anual, já descontados os encargos e somados os direitos”, afirma.
Custos esquecidos e modelo 50/50
Benefícios como vale-refeição, plano de saúde e previdência privada somam milhares de reais por mês e desaparecem no modelo PJ. Além disso, há custos como contabilidade e impostos. “No fim do ano, muitos descobrem que trabalharam mais para ganhar menos”, destaca Profeta.
Uma tendência é o modelo 50/50, onde empresa e profissional dividem encargos. “É uma alternativa intermediária que pode trazer equilíbrio para ambas as partes”, avalia.
Como calcular a diferença entre CLT e PJ
Para facilitar a comparação, Profeta ensina uma fórmula: Salário CLT | 13º | férias + 1/3 | FGTS | multa rescisória | benefícios | impostos do PJ | custos administrativos e contábeis.
Essa soma mostra qual modelo oferece maior ganho anual. O regime PJ pode ser vantajoso com liberdade e múltiplos clientes, mas também desvantajoso, com subordinação e perda de benefícios.
Em um cenário de inflação e incerteza, entender a diferença entre os regimes é crucial. “Informação financeira é poder de negociação. Quem sabe fazer a conta negocia melhor e para de perder dinheiro”, resume o consultor.
No fim das contas, a pergunta não é apenas quanto pagam por mês e sim quanto sobra de verdade no bolso ao longo do ano.
— Robson Profeta, consultor financeiro






