A aceleração da inteligência artificial (IA) criou um paradoxo dentro das empresas. Apesar de termos mais tecnologia para otimizar o tempo, as equipes se mostram ansiosas, improdutivas e com receio de ficarem para trás. Eduardo Schuler, CEO da Smart Consultoria, reflete sobre como a inteligência emocional está se tornando um diferencial competitivo na era da IA.
Inteligência emocional versus IA
Segundo estudos recentes de Harvard, profissionais emocionalmente mais preparados se adaptam até 30% mais rápido a novas tecnologias. De acordo com a McKinsey, até 30% das horas de trabalho poderão ser automatizadas até 2030.
Eduardo Schuler defende que o desafio atual não é técnico, mas emocional. Ou seja, não vence quem sabe mais, e sim quem lida melhor com o desconforto de não saber. Ele traz exemplos de como empresas podem criar culturas de aprendizado contínuo, reduzir a ansiedade e transformar a IA em parceria, e não em ameaça.
O conhecimento como bem perecível
A era digital transformou o conhecimento em um bem perecível. Em um cenário em que a inteligência artificial dobra de capacidade a cada poucos meses, o que se sabe hoje pode se tornar obsoleto em questão de semanas. Esse ritmo acelerado de inovação criou um paradoxo. Enquanto a tecnologia promete libertar o tempo humano, as pessoas se sentem cada vez mais pressionadas a aprender, atualizar-se e produzir mais.
De acordo com o Fórum Econômico Mundial (2023), mais de 78% das empresas já utilizam algum tipo de inteligência artificial. Em tese, isso deveria liberar o profissional de tarefas repetitivas para atividades mais criativas. Na prática, porém, o que se vê é o oposto: aumento da ansiedade e da sensação de inadequação.
Além disso, o ciclo de validade do conhecimento encolheu, e com ele, o conforto da estabilidade profissional. É um cenário que expõe um déficit emocional para lidar com a mudança constante.
Esse cenário exige um novo tipo de inteligência, não a lógica dos algoritmos, mas a emocional dos humanos. A capacidade de lidar com o desconforto, acolher a incerteza e cultivar a curiosidade se tornou estratégica.
— Eduardo Schuler, CEO da Smart Consultoria
Como desenvolver a inteligência emocional na prática?
O primeiro passo é aceitar que aprender é um processo emocional, não apenas cognitivo. É natural sentir insegurança diante do desconhecido, e o erro é negar isso. Práticas simples, como reservar blocos semanais para “aprendizado sem meta”, participar de comunidades de troca e encarar a curiosidade como parte do trabalho, ajudam a reduzir a ansiedade.
Empresas que compreendem isso criam culturas de aprendizagem contínua, onde o erro não é punido, mas explorado como fonte de melhoria. As que ignoram isso, por outro lado, acabam produzindo times rápidos na operação, mas lentos na adaptação.
IA como parceira, não competidora
A consultoria McKinsey estima que até 30% das horas de trabalho globais poderão ser automatizadas por IA até 2030. Um estudo conjunto entre a Harvard Business School e o Boston Consulting Group (2024) mostrou que consultores que usaram IA produziram resultados 40% melhores, não por saberem mais, mas por aprenderem a usar a tecnologia como parceira.
Quem reage à IA com resistência perde, quem reage com abertura emocional multiplica resultados.
— Eduardo Schuler, CEO da Smart Consultoria
O dilema é claro: quanto mais produtivos nos tornamos, menos tempo sentimos ter para aprender. É um ciclo que só se rompe quando entendemos que a produtividade sem propósito leva à exaustão, enquanto o aprendizado gera energia e renovação.
Continuar correndo sem tempo para aprender é a receita perfeita para a obsolescência emocional e profissional. A verdadeira competência do futuro, portanto, não está em acumular conhecimento, mas em manter viva a curiosidade. Em um mundo onde tudo envelhece rápido, a mente curiosa é a única que não envelhece. A inteligência emocional é o que nos permite continuar humanos em meio às máquinas, e talvez seja exatamente isso que nos manterá relevantes.






