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Endividamento histórico: 8 milhões de empresas em risco no Brasil

Endividamento histórico: 8 milhões de empresas em risco no Brasil

O endividamento histórico empresarial no Brasil atingiu um patamar crítico em 2024. Segundo dados da Serasa Experian e do Mapa de Empresas, mais de 8 milhões de empresas estão negativadas. Desse total, 7,6 milhões são micro e pequenas empresas, responsáveis por grande parte dos empregos formais no país.

Impacto do endividamento nas empresas

O passivo acumulado por essas empresas ultrapassa R$ 130,5 bilhões, indicando que uma em cada três empresas formais opera no vermelho, com sério comprometimento do fluxo de caixa. Essa situação é resultado de uma combinação de fatores, como queda no faturamento, juros elevados, retração no crédito e falta de gestão especializada.

Para Marcos Pelozato, especialista em reestruturação empresarial, o problema se agrava porque muitos empresários ignoram os sinais de colapso. “O empresário brasileiro costuma buscar ajuda somente quando a situação já fugiu do controle. Quando o caixa trava, o fornecedor fecha a torneira e a dívida explode, as alternativas ficam muito mais restritas”, afirma.

A importância da ação imediata

Pelozato ressalta que essa reação tardia aumenta a mortalidade de negócios, especialmente entre micro e pequenas empresas, que são mais vulneráveis às oscilações de receita. Ele alerta para a necessidade de ação imediata: “Se mais de 7,6 milhões de empresas estão em risco e você faz parte desse grupo, esperar não é uma opção. A omissão é uma escolha pelo fechamento”.

Efeitos sistêmicos da inadimplência

A inadimplência generalizada já produz efeitos sistêmicos. Com a restrição de crédito e o aumento das dívidas, empresas menores perdem a capacidade de honrar compromissos, renegociar com fornecedores e manter estoques.

Segundo Pelozato, a fragilidade financeira afeta não só a operação, mas também a preservação de empregos. “Quando uma microempresa fecha, não é só o dono que perde. São milhões de famílias que sentem o impacto, porque esse segmento sustenta boa parte dos postos de trabalho formais”, explica.

Alternativas para a reestruturação

Diante da escalada de passivos, Pelozato indica dois caminhos: um processo profundo de reestruturação ou a Recuperação Judicial. Ambos exigem diagnóstico estruturado, reordenação do passivo e ação imediata. “A Recuperação Judicial não é uma confissão de fracasso. É uma ferramenta legal que protege empresas viáveis”, reforça Pelozato.

A Recuperação Judicial não é uma confissão de fracasso. É uma ferramenta legal que protege empresas viáveis.

— Marcos Pelozato, especialista em reestruturação empresarial

Ele defende que contadores e advogados atuem de forma preventiva, e não apenas em momentos de crise. “Falta conhecimento técnico entre empresários e até entre profissionais que deveriam orientar esses negócios. Sem essa preparação, muitas empresas acabam fechando sem sequer considerar alternativas legais de reorganização”, afirma.

A urgência na tomada de decisão

Pelozato enfatiza que empresas com dificuldades financeiras precisam agir rapidamente. “A cada mês de atraso, a dívida cresce, o caixa diminui e as chances de recuperação despencam. Reorganizar o passivo, renegociar dívidas e comprovar a viabilidade econômica são etapas que precisam ser iniciadas imediatamente”, conclui.

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