O fluxo de investimento direto estrangeiro nos Estados Unidos tem apresentado crescimento, atingindo US$ 5,71 trilhões em 2024, conforme dados do Bureau of Economic Analysis (BEA). Apesar de o Brasil não figurar entre os maiores investidores, sua presença tem se tornado cada vez mais relevante.
Um levantamento da Amcham Brasil, baseado em dados oficiais norte-americanos, revela que o país ocupou a 23ª posição entre os investidores estrangeiros em 2022, após ter alcançado a 13ª posição em 2015. A distribuição setorial indica que empresas brasileiras têm ampliado seus investimentos, especialmente nos setores de alimentos e bebidas, plásticos, bens de consumo, além de software e tecnologia, de acordo com dados compilados pela Agência Brasil em 2025.
Setores promissores para 2026
Para 2026, especialistas preveem que a expansão ou entrada de brasileiros no mercado norte-americano deve se concentrar em setores regulados e operações de serviços que demandam uma estruturação fiscal cuidadosa.
Fernanda Spanner, CEO da Spanner Consulting Group e especialista em planejamento tributário e estruturação de empresas nos Estados Unidos, destaca este momento como crucial para ajustes estratégicos. “O ambiente americano é mais previsível, mas não menos técnico. Cada estado impõe regras distintas de impostos, seguros e licenças, o que altera completamente o custo real da operação”, afirma a executiva, ressaltando que as decisões tomadas antes do final do ano influenciam o nível de risco das operações internacionais.
Imobiliário e construção
A National Association of Realtors registrou US$ 56 bilhões em compras de imóveis residenciais por estrangeiros entre abril de 2024 e março de 2025, um aumento de 33% em relação ao período anterior. O Brasil se destaca entre as principais nacionalidades latino-americanas nesse mercado. A expectativa de estabilização do crédito e a continuidade da demanda doméstica sustentam a projeção de que o setor continuará atraindo investidores interessados em renda de locação, remodelação ou operações híbridas com aluguel de curto prazo.
Software, TI e serviços digitais
Apesar de não liderar o valor total investido, o setor de tecnologia atrai brasileiros interessados na combinação entre um ambiente regulatório claro e o crescimento robusto de empresas de tecnologia nos Estados Unidos. Relatórios recentes do BEA apontam para a expansão do investimento estrangeiro em software e serviços corporativos, o que reforça a tendência de internacionalização de empresas digitais brasileiras que buscam contratos B2B.
Alimentos, bebidas e bens de consumo
Os setores que concentram o maior volume de investimento brasileiro nos Estados Unidos devem permanecer vantajosos em 2026, especialmente para empresas que desejam acessar o varejo americano. A solidez da demanda e os acordos com redes de distribuição favorecem operações industriais e comerciais já consolidadas no Brasil.
Logística, armazenamento e importação
O avanço do e-commerce e a reorganização das cadeias de abastecimento aumentam o interesse por centros de distribuição, pequenos armazéns e operações porta a porta em estados como Flórida, Geórgia e Nova Jersey. A alta competição por prazos de entrega e a busca por bases fiscais favoráveis impulsionam investidores com experiência em comércio exterior.
Serviços de saúde e bem-estar regulados
Clínicas especializadas, laboratórios e serviços de suporte têm se destacado como alternativas de médio prazo para empresários brasileiros. O envelhecimento da população e a falta de prestadores em certas regiões geram oportunidades em nichos de alta demanda e margens superiores, embora as licenças e normas estaduais tornem o setor um dos mais técnicos.
Planejamento fiscal é essencial
Spanner ressalta que o período exige decisões baseadas em simulações tributárias, análise de riscos e mapeamento de custos regulatórios. Para ela, a ideia de que operar nos Estados Unidos é necessariamente mais simples não se confirma na prática. “No Brasil, discute-se muito a complexidade tributária. Mas, nos Estados Unidos, uma única escolha societária errada ou a contratação inadequada de seguros pode multiplicar o custo anual de uma empresa. O planejamento é o que determina a viabilidade de longo prazo”, explica a especialista.
Entre os pontos que consultorias especializadas têm priorizado na preparação para 2026, destacam-se:
- Comparação das cargas tributárias estaduais, como Corporate Tax, Sales Tax e obrigações complementares.
- Avaliação dos custos de seguros, que variam fortemente entre setores.
- Definição da estrutura societária mais eficiente para cada operação, como LLC, C Corp ou holding.
- Análise de riscos cambiais e impacto no fluxo de caixa.
- Estudos de licenciamento setorial, especialmente para saúde, alimentos e logística.
Reavaliação de rotas
Com a proximidade do fim do ano e a pressão por ajustes nos planos de expansão, o debate sobre oportunidades setoriais, riscos e exigências fiscais ganha importância entre empreendedores brasileiros. A construção de operações internacionais tende a crescer, mas o ritmo e a sustentabilidade dos investimentos dependerão da capacidade de alinhar estratégia, estrutura e ambiente regulatório.
Para a especialista, o ponto central não é apenas abrir uma empresa, mas garantir coerência entre propósito, modelo de negócio e realidade tributária. “A expansão só se sustenta quando há clareza sobre custos e riscos. Esse será o diferencial competitivo de quem pretende investir nos Estados Unidos em 2026”, conclui.
A expansão só se sustenta quando há clareza sobre custos e riscos. Esse será o diferencial competitivo de quem pretende investir nos Estados Unidos em 2026.






