Entrando em um dos meses mais festivos, marcado por Natal, réveillon e férias escolares, é crucial redobrar a atenção com a segurança de crianças e adolescentes. Afinal, mais de 90% dos casos de violência e agressões contra crianças no Brasil ocorrem no ambiente doméstico. Os dados são da Pesquisa Nacional da Situação de Violência Contra Crianças no Ambiente Doméstico, publicada pelo ChildFund.
Dados alarmantes sobre violência infantil
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024 revela que grande parte das vítimas de estupro são meninas (88%), sendo que 61,6% delas têm até 13 anos. Além disso, em 84% dos casos, o agressor é um familiar ou alguém próximo. Esses números servem de alerta para que, mesmo em reuniões familiares e ambientes conhecidos, os responsáveis estejam sempre presentes e atentos.
Independentemente da quantidade de pessoas no local, os cuidados devem ser os mesmos, até mesmo dentro de casa, pois os dados indicam que são os lugares mais perigosos e propícios a violações e abusos. Além disso, cuidar das crianças e dos adolescentes é um dever de toda a sociedade, então é importante estar em alerta em todos os locais.
— Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund Brasil
A importância da comunicação aberta
Criar um ambiente em que crianças e adolescentes se sintam seguros para falar também é fundamental. A comunicação aberta desde a primeira infância, com ensinamentos sobre os limites do corpo, ajuda a prevenir situações de risco e garante que, caso algo saia do controle, a criança ou adolescente se sinta à vontade para contar.
Orientações essenciais para proteção
Para auxiliar pais e responsáveis, o ChildFund oferece orientações simples, mas importantes, que podem ser utilizadas no dia a dia das famílias:
- Mantenha os pequenos sempre por perto: Evite deixá-los sozinhos em quartos ou espaços isolados, mesmo em ambientes familiares. Redobre a atenção em locais com grande circulação de adultos.
- Estabeleça regras claras antes do evento: Defina com a criança quem são os adultos responsáveis, onde ela pode brincar e em quais situações deve pedir ajuda.
- Ensine que o corpo dela tem limites: Explique que ninguém pode tocar em partes íntimas e que ela pode dizer “não” para qualquer situação desconfortável, inclusive com familiares.
- Observe mudanças de comportamento: Choro fácil, medo repentino, irritação, regressão ou silêncio excessivo podem ser sinais de alerta.
Atenção redobrada e prevenção
Em festas com bebida alcoólica, organize uma escala para que sempre haja um adulto atento às crianças. Caso precise se ausentar, avise outro adulto de confiança. Além disso, não force cumprimentos físicos, ensinando que a criança tem autonomia sobre o próprio corpo.
Fique atento a lugares fechados, como banheiros, quartos e carros, que exigem maior vigilância. Incentive a criança a sempre avisar aonde vai, seja para brincar no quintal ou acompanhar outra criança.
Sinais de alerta e como agir
Oriente sobre situações que parecem “normais”, como brincadeiras de “segredo”, pedidos para ficar sozinho com um adulto ou presentes trocados por carinho. Esses comportamentos devem ser sempre relatados. Ao notar qualquer suspeita de abuso, procure serviços especializados, o Conselho Tutelar e denuncie pelo Disque 100.






