O Brasil abriga mais de 300 povos indígenas e cerca de 270 línguas originárias. No entanto, o país muitas vezes trata esses povos como parte do passado. Esse apagamento persiste nos livros escolares, na produção cultural e no debate público.
Arte como ferramenta de resistência
Para abordar essa contradição, o artista Marcos Goes apresenta Povo Vivo, obra que reúne retratos de importantes lideranças indígenas brasileiras. O livro é um manifesto que promove um encontro entre arte, memória, política e responsabilidade ambiental. Além disso, a produção utilizou tintas naturais e técnicas sustentáveis.
Com uma trajetória ligada à preservação ambiental, Marcos Goes já trabalhou com o Instituto Chico Mendes (ICMBio). Ele desenvolve sua obra a partir de saberes ancestrais, utilizando a arte como ferramenta educativa, cultural e política. O trabalho do artista provoca uma reflexão essencial: é possível falar de futuro, identidade nacional e crise climática sem ouvir os povos originários?
Homenagem às lideranças indígenas
Em Povo Vivo, Marcos Goes apresenta reproduções de ilustrações criadas com tintas naturais e nanquim eco. Os retratos celebram lideranças indígenas brasileiras que permanecem vivas, atuantes e fundamentais na defesa dos povos originários e da natureza. A publicação da Hanoi Editora surge como um manifesto artístico e educativo. O autor oferece um olhar sensível sobre essas figuras que moldam a história do país com resistência e sabedoria.
Entre os retratados, destacam-se nomes como o Cacique Raoni Metuktire, símbolo mundial da preservação da Amazônia. Sonia Guajajara, a primeira ministra dos Povos Indígenas, também é homenageada. A lista continua com o pensador e ativista Ailton Krenak, o xamã yanomami Davi Kopenawa e a pioneira Joênia Wapichana, a primeira mulher indígena a se tornar advogada no Brasil. Completam a galeria Myrian Krexu, Daniel Munduruku, Cristine Takuá, Francisco Piyãko e Eliane Yawanawá, representantes de diferentes comunidades e territórios.
Tintas naturais e saberes ancestrais
Goes também aborda temas que permeiam a luta indígena desde a invasão colonial até os conflitos contemporâneos. Entre eles, cita violências, massacres, demarcação de terras, políticas públicas e crise climática. Além disso, o artista menciona órgãos e projetos ambientais ligados à preservação desses povos e de seus territórios. Marcos Goes convida o leitor a reconhecer a urgência dessas pautas, conectando arte, educação e responsabilidade social.
A escolha por tintas naturais não é apenas estética, mas um resgate de saberes antigos. É um gesto espiritual e sustentável. O autor destaca que os processos de extração e criação dos pigmentos representam conhecimentos sagrados transmitidos por gerações. Isso permite que sua arte se conecte à natureza com cuidado, presença e propósito. A produção manual dos materiais, de baixíssimo impacto ambiental, reforça a dimensão ritualística e ecológica da obra.
Marcos Goes é publicitário, diretor de criação e artista natural. Sua trajetória é marcada pelo engajamento em projetos de preservação ambiental. Ele atuou junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e em movimentos de ativismo artístico, como o Cinzas da Floresta. Em Povo Vivo, o artista une espiritualidade, ancestralidade e responsabilidade ambiental para celebrar mestres indígenas que seguem recriando futuros possíveis para o Brasil.






