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Cibersegurança infantil: livro vira presente de Natal

Cibersegurança infantil: livro vira presente de Natal

Com 93% das crianças e adolescentes brasileiros já conectados, a segurança digital se tornou pauta dentro de casa e tema de conversa familiar. Diante desse cenário, o livro infantil O Cibernauta e a Super Senha Secreta, criado por especialistas em tecnologia e gestão, propõe educação digital preventiva para crianças de 6 a 10 anos, incentivando a leitura compartilhada entre pais e filhos.

Senhas, privacidade e a busca por ajuda

A obra aborda temas como senhas, privacidade e a importância de pedir ajuda, em um contexto de alta nas denúncias de abusos e golpes online, segundo dados da SaferNet, CGI.br e ONU.

O Cibernauta nasceu da necessidade de ensinar nossas crianças e também os adultos a navegarem com segurança. Hoje, tudo passa pelo digital: finanças, estudos, lazer. Por isso, entender o básico sobre proteção de dados e boas práticas online é uma questão de cidadania.

— Daniel Meirelles, especialista em cibersegurança

Risco real e linguagem infantil

O cenário atual apresenta um ambiente digital complexo, tanto para explicar quanto para monitorar. Em 2025, a SaferNet Brasil alertou que a maior parte das denúncias recebidas estava ligada a abuso e exploração sexual online, mencionando o uso de ferramentas de inteligência artificial para manipular ou criar conteúdos. Além disso, a entidade informou um aumento de 114% nas denúncias de “pornografia infantil” em um recorte específico, após mobilização nas redes.

No cenário internacional, a WeProtect Global Alliance aponta que os registros de material de abuso sexual infantil analisados pelo NCMEC aumentaram 87% desde 2019, indicando crescimento e sofisticação das ameaças. A ONU reporta que mais de um terço dos jovens, em 30 países, já sofreram cyberbullying.

O livro tenta ocupar um espaço onde muitos pais encontram dificuldades: como falar sobre proteção sem transformar a internet em “território proibido” e sem depender de jargões técnicos. Nesse sentido, a obra se apresenta como uma ferramenta útil para famílias.

Queremos que as famílias aprendam juntas, de forma leve, sobre como se proteger. A ideia é transformar o aprendizado técnico em algo acessível, divertido e com propósito.

— Eduardo Argollo, economista e coautor do livro

Habilidades para além da internet segura

A proposta de O Cibernauta não se limita a alertas sobre senhas fortes ou cuidado com dados pessoais. O material também visa desenvolver competências socioemocionais e cognitivas que auxiliam a criança a tomar decisões no ambiente digital, como pensamento crítico e diálogo com os responsáveis.

Entre as habilidades trabalhadas pelo projeto, destacam-se navegação segura, pensamento crítico, conexão familiar, criatividade e foco, além de comunicação clara, solução de problemas e capacidade de expressão.

Para pais e responsáveis, a utilidade prática se manifesta na conversa que surge após a leitura. A pesquisa TIC Kids Online Brasil mostra que o acesso à internet é cada vez mais móvel, com o celular sendo a principal porta de entrada para as crianças, o que aumenta a exposição a riscos em redes sociais, jogos e aplicativos de mensagens. Nesse contexto, especialistas em proteção infantil defendem abordagens que combinem orientação, supervisão e educação, em vez de apenas bloqueio.

Checklist de conversa para o Natal e as férias

Para aproveitar o período de mais tempo em casa, Daniel Meirelles e Eduardo Argollo sugerem que a leitura sirva de base para combinados simples, revisados em família. Na prática, três ajustes podem resolver parte do risco cotidiano:

  1. Senhas e segredos: combinar que senhas não são compartilhadas com amigos e que a família usa frases longas, com mistura de letras e números, em vez de datas e nomes.
  2. Dados pessoais: reforçar que endereço, escola, telefone e fotos com uniforme não devem ser enviados para desconhecidos nem publicados sem conversar com um adulto.
  3. Pedido de ajuda: criar uma regra de ouro para a criança chamar um responsável ao ver mensagens estranhas, ameaças, pedidos de foto, promessas de brindes ou “desafios” que peçam sigilo.

O objetivo, segundo os autores, é transformar segurança digital em hábito e conversa recorrente, e não em bronca isolada após um susto.

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