Nos últimos anos, o modelo ágil deixou de ser um conceito restrito às equipes de tecnologia e passou a ocupar o centro das discussões estratégicas nas grandes organizações. Em um cenário de pressões econômicas globais, aumento da complexidade organizacional e aceleração tecnológica, muitas empresas perceberam que apenas “fazer ágil” já não é suficiente, especialmente com a chegada da inteligência artificial generativa.
O foco agora é como a agilidade sustenta resultados reais, escala com governança e convive com a IA.
Agilidade em transformação
Segundo Alexandre Corsi Abdalla, CEO da PPM Education e especialista em transformação organizacional e governança ágil, a agilidade vive um ponto de inflexão histórica.
O ágil está deixando de ser um conjunto de frameworks para se tornar um modelo operacional integrado, conectado à estratégia, métricas de valor e tomada de decisão em ambientes complexos.
— Alexandre Corsi Abdalla, CEO da PPM Education
Dados que comprovam a mudança
Relatórios recentes reforçam essa mudança de paradigma:
- O State of Agile Report aponta que mais de 70% das organizações relatam dificuldade em escalar o ágil além dos times, principalmente por falta de alinhamento com estratégia e governança corporativa.
- A McKinsey indica que apenas 30% das transformações ágeis geram impacto financeiro sustentável quando não estão conectadas a objetivos estratégicos claros e métricas de valor.
- O Gartner destaca que, até 2026, mais de 80% das grandes empresas utilizarão IA generativa integrada aos seus fluxos de trabalho, exigindo novos modelos de controle, ética e governança.
Esses dados revelam que iniciativas ágeis isoladas não sustentam transformação contínua. A seguir, confira os principais movimentos para os próximos anos.
A ascensão da agilidade híbrida
O primeiro grande movimento é a consolidação da agilidade híbrida. Modelos puramente prescritivos dão lugar a estruturas que combinam princípios ágeis, práticas preditivas, gestão de portfólio, OKRs e governança adaptativa.
Até 2026, o modelo híbrido deixa de ser exceção e passa a ser o padrão. As empresas mais maduras não discutem mais ‘qual framework usar’, mas sim como equilibrar autonomia, previsibilidade e impacto de negócio.
— Alexandre Abdalla, CEO da PPM Education
Foco em valor e ROI
O segundo movimento é a substituição das métricas tradicionais. Velocidade, número de sprints ou aderência a frameworks perdem protagonismo para outcomes, ROI, NPS, eficiência operacional e geração de valor ao cliente.
De acordo com o Scaled Agile Framework (SAFe) Report, organizações orientadas a valor têm até 50% mais chances de alcançar resultados financeiros acima da média do mercado.
Times rápidos que não entregam valor estratégico são apenas times ocupados.
— Alexandre Abdalla, CEO da PPM Education
IA integrada ao fluxo de trabalho
O terceiro vetor é a integração da inteligência artificial em todo o fluxo de trabalho, e não apenas no desenvolvimento de software.
Relatórios do Gartner e da Deloitte indicam que agentes de IA, chamados de digital coworkers, já estão sendo utilizados em:
- Planejamento e priorização de backlog
- Análise preditiva de riscos
- Testes automatizados
- Governança, compliance e auditoria contínua
Essa mudança redefine papéis, acelera decisões e aumenta a previsibilidade em ambientes complexos.
Governança ágil como aceleradora
Por fim, a governança passa por uma reinterpretação profunda. Longe de ser um freio, governança ágil, guardrails de IA, SLAs claros e princípios éticos tornam-se habilitadores de escala, segurança e confiança.
Segundo a Deloitte, empresas que adotam modelos claros de governança para IA têm 40% menos incidentes operacionais e reputacionais.






