O Consórcio Intermunicipal Samu dos Campos Gerais (CIMSAMU) divulgou um balanço preocupante sobre as ligações falsas recebidas pela Central de Regulação Médica de Urgências. De janeiro a junho de 2025, foram registrados 398 trotes, um número elevado que ameaça a eficiência do sistema de urgência na região.
Impacto dos trotes no SAMU
A diretora-geral do CIMSAMU, Emanuelle Schuck, ressalta que o cenário atual agrava os prejuízos causados pelos trotes. A Central enfrenta picos de atendimento, com grande volume de chamadas simultâneas, o que causa espera, principalmente em ocorrências complexas. “Esse número representa um volume inaceitável de falsas ocorrências e reafirma uma preocupação constante sobre o impacto na eficiência da rede de urgência e emergência”, afirma.
A análise técnica mostra que o problema é constante: 82 trotes em janeiro, 54 em fevereiro, 89 em março, 67 em abril, 59 em maio e 47 em junho. Isso reforça que as chamadas falsas são um comportamento recorrente da população.
Prejuízos operacionais e financeiros
Segundo os profissionais do serviço, o contexto operacional agrava ainda mais os prejuízos. Nos horários de maior demanda, a Central precisa gerenciar múltiplas urgências simultâneas, redistribuindo ambulâncias e equipes conforme a gravidade dos casos. Nesses períodos, um único trote pode desviar a atenção da equipe, deslocar uma ambulância para uma falsa ocorrência e atrasar o atendimento de um paciente em situação real de risco.
O médico Rodrigo Lagos, da Central de Regulação de Urgências da SMB Gestão em Saúde, explica que cada ligação recebida aciona protocolos rigorosos. “Cada uma dessas ligações aciona um protocolo operacional complexo. Um único trote é capaz de retirar uma ambulância de circulação, retardar o atendimento de uma emergência real e comprometer o fluxo da rede hospitalar”, destaca.
Além disso, ele acrescenta que, em momentos de alta demanda, atrasos de minutos podem ser decisivos para o desfecho clínico de um paciente.
Um único trote é capaz de retirar uma ambulância de circulação, retardar o atendimento de uma emergência real e comprometer o fluxo da rede hospitalar.
— Rodrigo Lagos, médico da Central de Regulação de Urgências da SMB Gestão em Saúde
Além do impacto assistencial, o prejuízo financeiro também é significativo. Estima-se que cada ocorrência falsa gere um custo médio entre R$ 400 e R$ 700, considerando deslocamento de ambulâncias, consumo de combustível, desgaste de frota, utilização de equipamentos e mobilização das equipes de saúde.
Consequências legais dos trotes
Do ponto de vista legal, o artigo 266 do Código Penal Brasileiro prevê pena de detenção de um a seis meses, ou multa, para quem acionar falsamente ou perturbar um serviço público. Nos casos em que o trote resulta no atraso ou impedimento do socorro a uma vítima real, o responsável pode responder ainda por omissão de socorro e, em situações extremas, por homicídio culposo, conforme a legislação vigente.
Diante do aumento da demanda, dos períodos de espera e do impacto direto das ligações falsas, o CIMSAMU reforça o alerta: o número 192 deve ser utilizado exclusivamente em situações reais de urgência e emergência. A instituição destaca que a conscientização da população é fundamental para garantir que as equipes possam atuar com rapidez e segurança, evitando que vidas sejam colocadas em risco por ações irresponsáveis.






