Durante o Dezembro Vermelho, mês de conscientização sobre HIV/AIDS, órgãos de saúde alertam para um dado crucial: pessoas que vivem com HIV têm até 30 vezes mais risco de desenvolver tuberculose. Nesse contexto, o diagnóstico precoce da infecção latente – fase assintomática – surge como estratégia vital de prevenção.
A importância do diagnóstico precoce
Raphael Oliveira, gerente de Marketing Regional LATAM para Diagnósticos Moleculares da QIAGEN, explica que a detecção precoce permite iniciar um tratamento preventivo. Assim, evita-se que a doença se torne ativa, contagiosa e potencialmente fatal para quem tem o sistema imunológico vulnerável.
Segundo ele, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o teste IGRA, exame de sangue recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para identificar a tuberculose latente com alta precisão.
Para a população vivendo com HIV, a tuberculose latente é uma ameaça silenciosa. Somente no Brasil, o índice de coinfecção de tuberculose e HIV é em torno de 10%, de acordo com o Ministério da Saúde. Portanto, diagnosticá-la é uma intervenção que salva vidas. O tratamento preventivo é seguro, eficaz e interrompe a progressão para a doença ativa, reduzindo drasticamente o risco de complicações e mortalidade.
— Raphael Oliveira, gerente de Marketing Regional LATAM para Diagnósticos Moleculares da QIAGEN
Quem deve fazer o teste IGRA?
O Ministério da Saúde indica o teste IGRA para grupos de risco, incluindo pessoas vivendo com HIV, crianças em contato com casos ativos de TB, candidatos a transplantes de órgãos e pessoas com doenças inflamatórias imunomediadas, como psoríase, doença de Crohn e artrite reumatoide. O exame é feito por meio de uma simples coleta de sangue.
Olivera ressalta que o método é essencial para reduzir as margens de falso-negativo, que costumam acontecer com mais frequência entre as pessoas que convivem com HIV. Além disso, oferece resultado em até 24 horas, agilizando o manejo clínico e a tomada de decisão.
Ampliação da testagem
O executivo da QIAGEN complementa que ampliar a testagem anual é um dos pilares para controlar a coinfecção TB/HIV no país. O acesso a tecnologias precisas como o IGRA no SUS é um avanço significativo. No entanto, é preciso garantir que essa informação chegue aos profissionais de saúde e à população vulnerável. Afinal, o caminho para reduzir óbitos está na prevenção ativa e na busca rápida pelo tratamento.
Além do SUS, o teste IGRA está disponível na rede privada, em mais de 59 laboratórios em todo o país. Após a fase assintomática, que pode se estender por anos, a tuberculose pode evoluir de forma grave e rápida a partir de uma queda imunológica. Portanto, a busca sistemática dos casos da doença, mesmo que a infecção esteja inativa, é uma das maneiras mais efetivas de conter essa transmissão e erradicar suas ocorrências.



