O ano de 2026 se desenha como um período importante para a medicina canábica no Brasil. A cannabis medicinal deve ganhar ainda mais espaço, impulsionada pelo prazo final para a regulamentação do cultivo para fins medicinais e farmacêuticos, previsto para março. Além disso, o país acompanha o crescimento no número de pacientes que utilizam terapias com derivados da planta. Em 2025, mais de 873 mil pacientes movimentaram um mercado de quase R$ 1 bilhão, de acordo com dados da consultoria Kaya Mind.
Cuidados Essenciais para Iniciar o Tratamento
Para quem deseja iniciar um tratamento com cannabis medicinal, alguns cuidados são indispensáveis. A Dra. Mariana Maciel, especialista brasileira à frente da farmacêutica canadense Thronus Medical e autora do livro Revolução Endocanabinoide (2025), lista os principais passos para começar de forma segura e responsável.
1. Entenda a Abordagem Integrativa
Antes de tudo, é crucial compreender que a medicina canabinoide é uma abordagem integrativa. “Tratamos a pessoa, não o sintoma. A cannabis deve ser associada a outras estratégias terapêuticas, considerando o paciente como um todo”, explica a especialista.
2. Procure um Médico Qualificado
O tratamento se inicia com a escolha de um médico legalmente habilitado, com registro ativo no Conselho Federal de Medicina (CFM) e no Conselho Regional de Medicina (CRM). Embora não exista uma certificação específica para a prescrição de cannabis medicinal no Brasil, é recomendável buscar profissionais com formação complementar e experiência clínica na área. Para maior segurança, procure clínicas especializadas, indicações de membros de comunidades online e referências profissionais confiáveis.
3. Primeira Consulta Detalhada
A consulta inicial é um momento crucial. “Aqui é a hora do paciente falar tudo”, reforça a Dra. Mariana. Histórico de saúde, rotina, tratamentos em curso e medicamentos já utilizados devem ser informados. É nessa etapa que o médico define o tipo de canabinoide (CBD, THC ou combinações), a forma de uso (óleo, hidrossolúvel, intranasal, comestível, entre outras) e a posologia.
Como obter a autorização da Anvisa
4. Cadastre-se no Portal da Anvisa
Com a receita em mãos, é o momento de contatar a farmacêutica responsável pelo medicamento indicado. Muitas delas, como a Thronus Medical, auxiliam o paciente no cadastro da Anvisa, através do portal gov.br. Essa etapa é obrigatória para quem busca fármacos importados de cannabis medicinal no Brasil.
Após incluir dados como documentos e receita médica, a confirmação da autorização é enviada por e-mail sem custos adicionais, permitindo a aquisição do produto importado e sua entrega em domicílio. A autorização é válida por dois anos, mas a prescrição tem validade de seis meses, incentivando o acompanhamento médico e a renovação da receita.
5. Adquira o Medicamento Prescrito
Apenas com a autorização da Anvisa é possível contatar a farmacêutica indicada pelo médico. A importação é limitada a uma quantidade equivalente a até 180 dias de tratamento, conforme a posologia prescrita.
6. Acompanhamento Médico Contínuo
Após iniciar o tratamento, o acompanhamento médico é indispensável. “Esta fase não pode, de modo algum, ser negligenciada”, enfatiza a médica. “O diálogo contínuo garante os ajustes de dosagem e a avaliação da eficácia do tratamento, como em qualquer uso medicamentoso. O acompanhamento é fundamental”, completa.
Mitos sobre a Cannabis Medicinal
Um dos principais mitos em torno da cannabis medicinal é a associação ao efeito psicoativo. “Nem todo tratamento envolve THC, e mesmo quando envolve, as doses são terapêuticas e controladas”, esclarece a especialista. “O objetivo não é alterar a consciência, mas modular o sistema endocanabinoide para promover o equilíbrio fisiológico.”
Indicações da Cannabis Medicinal
Segundo a Dra. Mariana Maciel, a cannabis medicinal tem sido utilizada como terapia adjuvante em diversas condições clínicas, especialmente quando os tratamentos convencionais não apresentam resposta satisfatória. Entre as principais indicações estão dores crônicas (como lombalgia, neuropatias e artrite), transtornos de ansiedade, insônia, epilepsia refratária, transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo, fibromialgia e doenças inflamatórias crônicas.
A terapia também é utilizada em doenças neurológicas como Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla e distúrbios do movimento, bem como no controle de náuseas, dor, perda de apetite e outros efeitos colaterais de tratamentos oncológicos. Em alguns casos, auxilia no manejo de doenças autoimunes, síndromes dolorosas complexas, enxaqueca crônica, transtornos do sono e condições gastrointestinais inflamatórias, como a doença de Crohn.
Cada caso precisa ser avaliado individualmente, mas hoje já existe um corpo consistente de evidências clínicas e observacionais que respaldam o uso da cannabis medicinal em diferentes contextos terapêuticos.
— Dra. Mariana Maciel, especialista em medicina canábica






