A consolidação da DUIMP (Declaração Única de Importação) e do Novo Processo de Importação está redefinindo as estratégias de comércio exterior. Além disso, eleva o nível de exigência operacional para 2026. Com dados mais estruturados e maior cruzamento fiscal, erros de NCM, descrições e cadastros passam a impactar custos, prazos e riscos das operações.
O que muda com a DUIMP
A DUIMP é o instrumento central do despacho de importação no Portal Único de Comércio Exterior. Ela substitui gradualmente etapas e declarações do modelo anterior. Segundo a Receita Federal, a implementação ocorre de forma faseada. Isso se dá por meio de cronogramas de ligação e desligamento que variam conforme o tipo de operação.
Na prática, a principal mudança não está apenas na declaração em si, mas na qualidade das informações exigidas. A DUIMP opera de forma integrada ao Catálogo de Produtos e aos atributos por NCM definidos no Siscomex. Isso significa que dados antes descritos de forma genérica passam a ser informados de maneira estruturada e padronizada. Assim, reduz a margem para inconsistências e aumenta o nível de controle da fiscalização.
Por que 2026 é um ponto de inflexão?
A experiência do próprio governo com o Portal Único indica que a digitalização reduz prazos quando as informações são inseridas corretamente desde o início. Avaliações oficiais mostram queda relevante no tempo médio de exportação e importação após a adoção de processos digitais, mas também apontam aumento de exigências quando há divergência de dados.
Com mais operações migrando para a DUIMP, empresas que não revisaram cadastros, NCMs e descrições comerciais correm maior risco de retenções, exigências complementares e atrasos logísticos. Além disso, a ampliação das integrações com secretarias estaduais da Fazenda fortalece o cruzamento de dados fiscais e aduaneiros, elevando o nível de fiscalização e reduzindo a margem para correções tardias.
Como se preparar para a DUIMP?
A adaptação à DUIMP exige encadeamento de ações, e não mudanças isoladas. O ponto de partida é o saneamento cadastral, com revisão de NCM, padronização de descrições e preenchimento correto dos atributos exigidos para cada mercadoria. Essa base alimenta o Catálogo de Produtos e sustenta toda a operação no novo modelo.
Na sequência, é fundamental acompanhar os cronogramas oficiais do Portal Único para identificar quando cada tipo de operação será impactado. Esse mapeamento permite priorizar produtos estratégicos, fornecedores críticos e rotas mais sensíveis, evitando que a obrigatoriedade interrompa o fluxo logístico.
Em paralelo, ganha relevância a definição de responsabilidades internas claras para validação de dados, controle documental e acompanhamento das declarações.
Por fim, a integração entre gestão aduaneira, logística e financeira se torna decisiva. Processos bem estruturados reduzem custos indiretos, melhoram o planejamento cambial e diminuem o risco de paralisações inesperadas.
Thiago Oliveira, CEO da Saygo, resume:
A DUIMP não é apenas uma mudança de sistema. Ela exige que a empresa trate dados como ativo estratégico.
— Thiago Oliveira, CEO da Saygo
Ajustes para importadores em 2025
Especialistas recomendam que as empresas iniciem ainda em 2025 um processo estruturado de revisão interna, diante do avanço da DUIMP e do aumento do nível de exigência sobre dados e conformidade. Entre os principais pontos de atenção estão:
- A conferência de NCMs e a padronização das descrições comerciais de todos os produtos ativos;
- A correta estruturação dos atributos exigidos no Catálogo de Produtos, garantindo aderência às regras do Siscomex;
- O acompanhamento contínuo dos cronogramas de ligação e desligamento do Portal Único, para evitar surpresas operacionais;
- O mapeamento dos órgãos anuentes envolvidos em cada tipo de operação, com atenção às exigências específicas;
- A definição clara de responsáveis internos por cadastro, validação e conferência documental;
- A integração entre planejamento aduaneiro, logístico e cambial, de forma a reduzir impactos financeiros e atrasos.
Ao concentrar essas frentes de revisão, a empresa reduz o risco de travamentos operacionais e ganha previsibilidade em um ambiente que passa a cruzar dados de forma automática e em tempo real.
A consolidação da DUIMP tende a premiar quem antecipa ajustes, organiza informações e trata o processo de importação como parte da estratégia do negócio, e não apenas como uma etapa burocrática. Para 2026, a diferença entre atraso e fluidez estará menos no volume importado e mais na qualidade dos dados apresentados desde a origem da operação.






