Cibersegurança em 2026: novas ameaças e desafios estão previstos para os próximos anos, impulsionados pela evolução tecnológica e pela crescente sofisticação dos cibercriminosos. Diante desse cenário, especialistas apontam os principais riscos que devem marcar a era dos perigos digitais e como a segurança digital precisará se adaptar.
A monocultura da internet e seus riscos
A crescente dependência de plataformas centralizadas tem gerado a chamada “monocultura da internet”. Provedores de serviços em nuvem, como AWS, CDNs como Cloudflare e suítes de produtividade como Google e Microsoft são amplamente utilizados, tornando a internet vulnerável a falhas em larga escala.
Se um desses serviços for comprometido, milhões de usuários podem ser afetados simultaneamente. A falta de diversidade digital aumenta a rentabilidade dos ataques, já que um pequeno ganho por usuário pode se traduzir em grandes lucros para os criminosos.
A monocultura digital elimina a resistência de sistemas heterogêneos, tornando qualquer dado valioso e, portanto, um alvo para hackers. Ataques como o sofrido pelos sistemas da Cloudflare em 2025, que tirou do ar grande parte dos sites pelo mundo, ilustram esse risco.
Desinformação em novos canais
Espera-se que a desinformação online atinja níveis ainda mais alarmantes em 2026. Organizações criminosas têm investido na promoção de hábitos inseguros, usando influenciadores pagos para minar a confiança dos usuários em práticas de segurança.
Plataformas de discussão como Reddit, junto com outras redes sociais e de streaming, têm se tornado terreno fértil para essas campanhas. Ao promoverem produtos com padrões de segurança inferiores e ridicularizarem medidas de proteção, essas campanhas enfraquecem a privacidade dos usuários e perpetuam um ciclo de vulnerabilidade digital.
Além disso, a disseminação de imagens, áudios e vídeos gerados por inteligência artificial, que inundam redes sociais como TikTok, Kwai, Instagram e WhatsApp, vendem uma “verdade” que deixa o usuário ainda mais vulnerável a fraudes.
IA e ataques acelerados
A inteligência artificial não está apenas transformando a maneira como protegemos nossos dados, mas também está sendo usada para criar novas ameaças. Ferramentas baseadas em IA, como o ChatGPT, já demonstraram ser vulneráveis a ataques, armazenando informações sensíveis nos históricos de navegação.
Em 2026, espera-se uma escalada dramática nos ataques alimentados por IA. A tecnologia está tornando os crimes cibernéticos mais acessíveis, permitindo que até mesmo atores menos técnicos realizem ataques complexos.
Criminosos estão testando sistemas autônomos de IA capazes de escanear redes, identificar fraquezas e explorar vulnerabilidades com mínima supervisão humana. Modelos avançados como o “Evil GPT” estão disponíveis no mercado da Dark Web por preços baixos, ampliando o alcance e a eficácia dos ataques.
Erosão da confiança digital
À medida que mais serviços se tornam totalmente baseados na nuvem, o conceito de confiança digital começa a se deteriorar. Em 2026, a confiança será uma das maiores barreiras à segurança.
O aumento de deepfakes, clonagem de voz e identidades sintéticas criadas por IA facilitará ataques hiperpersonalizados. Fraudadores podem criar identidades totalmente falsas, combinando dados reais com informações fabricadas, para acessar contas bancárias, abrir contas de crédito ou até mesmo cometer crimes durante anos antes de serem detectados.
Com os criminosos usando IA para automatizar fraudes e criar sites falsos que imitam plataformas legítimas, os usuários podem facilmente ser enganados. A linha entre o legítimo e o falso está se tornando mais difícil de distinguir.
Ameaças quânticas à cibersegurança
O avanço da computação quântica está prestes a reconfigurar completamente o panorama da cibersegurança. O mercado de computação quântica deve ultrapassar a marca de US$ 5 bilhões até 2026, impulsionando investimentos e esforços para explorar seu impacto nas tecnologias de segurança.
Embora ataques em grande escala utilizando computação quântica ainda estejam alguns anos no futuro, criminosos já estão realizando operações de “colheita agora, decodificação depois”. Eles estão roubando dados criptografados, com a expectativa de que, no futuro, a computação quântica permita a descriptografia desses dados.
Esse risco pode expor décadas de informações privadas e tornar as atuais formas de criptografia obsoletas. Organizações e indivíduos devem priorizar a resiliência quântica hoje para evitar os danos do futuro.
Sendo assim, à medida que as ameaças cibernéticas se tornam mais sofisticadas e os ataques mais automatizados, a segurança digital precisa ir além de medidas técnicas e evoluir para uma questão de sociedade.
Embora a educação digital tenha tradicionalmente se concentrado em como usar dispositivos, o foco agora deve ser em hábitos de segurança digital, a chamada “higiene digital”. Em 2026, cultivar bons hábitos de segurança será crucial para proteger tanto indivíduos quanto organizações contra uma nova geração de ameaças digitais.
Marijus Briedis é CTO da NordVPN e Adrianus Warmenhoven é especialista em cibersegurança da NordVPN.






