Em um cenário de juros altos e crédito bancário restrito, um número crescente de brasileiros tem recorrido aos imóveis como solução financeira. Em 2025, o país conviveu com a taxa Selic em 15% ao ano, o que ampliou o custo do dinheiro e pressionou as operações de curto prazo. Diante desse cenário, 12,2 milhões de participantes do sistema de consórcios usam imóveis como instrumento financeiro, e não apenas como patrimônio estático.
Crédito caro e inadimplência crescente
O empréstimo pessoal chegou a 8,05% ao mês, enquanto o cheque especial operou perto de 8% ao mês, níveis que tornam insustentável a manutenção de dívidas rotativas. Além disso, a inadimplência do Sistema Financeiro Nacional subiu para 4% em outubro de 2025, o maior patamar em 3 anos. No mesmo período, o financiamento imobiliário tradicional recuou 11% no primeiro semestre, revelando queda no apetite dos bancos para conceder crédito de longo prazo.
Consórcios em alta
No sentido oposto, o sistema de consórcios movimentou R$ 222,39 bilhões no 1º semestre e alcançou 12,2 milhões de participantes ativos, evidenciando que o brasileiro está reposicionando o imóvel como instrumento financeiro e não apenas como patrimônio estático. Esse conjunto de indicadores torna o ativo imobiliário a principal alavanca de liquidez para atravessar um ciclo de crédito seletivo, caro e com inadimplência crescente.
Ativos reais ganham protagonismo
O avanço simultâneo dos juros, da inadimplência e da retração do crédito bancário provocou uma reorganização profunda nas decisões financeiras de empresas e famílias. Com o encarecimento das linhas tradicionais, o crédito deixou de ser abundante e passou a ser tratado como recurso escasso, exigindo garantias mais consistentes e maior previsibilidade de fluxo de caixa. Nesse ambiente, ativos reais ganharam protagonismo.
O imóvel, por reunir valor, liquidez potencial e segurança jurídica, passou a ocupar um papel central em estratégias de reorganização financeira. Em vez de ampliar dívidas caras ou recorrer a linhas emergenciais de curto prazo, o mercado passou a buscar soluções que permitissem usar o patrimônio existente como ferramenta para reduzir custo financeiro, alongar prazos e aliviar a pressão sobre o caixa em um cenário adverso.
Imóvel como ativo financeiro funcional
Esse movimento representa uma inflexão relevante na lógica patrimonial brasileira. Tradicionalmente associado à reserva de valor e à proteção de longo prazo, o imóvel passa a ser tratado como ativo financeiro funcional, integrado às decisões de curto e médio prazo. A retração de 11% no financiamento imobiliário reforça essa mudança de comportamento, ao indicar menor disposição dos bancos em assumir risco em operações longas.
Com isso, o mercado passa a se apoiar mais em estruturas baseadas em garantias reais, capazes de oferecer maior controle sobre custo e prazo. É nesse ponto que a Referência Capital se posiciona de forma estratégica. A empresa atua na estruturação de soluções que transformam patrimônio imobiliário em instrumento financeiro, conectando imóveis a operações de reorganização de dívidas, refinanciamento estruturado e geração de liquidez, fora do crédito bancário tradicional.
O foco não está na compra ou venda do imóvel, mas no desenho de estratégias que utilizam o ativo como alavanca para reduzir custo financeiro, melhorar o fluxo de caixa e devolver previsibilidade às decisões patrimoniais. Em um ambiente de crédito mais seletivo, a inteligência na estruturação da garantia passa a ser o diferencial para atravessar o ciclo com menor desgaste financeiro.
Visão do especialista
Para Pedro Ros, CEO da Referência Capital, esse reposicionamento do imóvel reflete uma mudança estrutural no mercado.
Com juros elevados e crédito mais restrito, o imóvel deixou de ser apenas patrimônio de longo prazo. Ele passou a ser um instrumento ativo de reorganização financeira, capaz de reduzir o custo das dívidas e gerar liquidez sem descapitalização. Quando o dinheiro fica caro, a garantia bem estruturada se torna o centro da estratégia — Pedro Ros, CEO da Referência Capital
Segundo ele, o movimento ganhou força justamente porque empresas e famílias precisam preservar caixa e reorganizar compromissos financeiros em um ambiente mais hostil ao endividamento tradicional. A perspectiva para 2026 indica a continuidade desse cenário. Enquanto o custo do crédito permanecer elevado e a inadimplência seguir pressionando o sistema financeiro, a busca por soluções baseadas em garantias reais tende a se intensificar. O imóvel deve consolidar seu papel como amortecedor em momentos de aperto e como alavanca em fases de retomada, integrando de forma definitiva o planejamento financeiro de empresas e famílias.






