O setor pet brasileiro, mesmo com um crescimento consistente e uma projeção de faturamento de R$ 77,2 bilhões para 2025, enfrenta uma crise de gestão que afeta a contratação e retenção de equipes operacionais. De acordo com dados da Abinpet e do Instituto Pet Brasil, o setor movimentou R$ 75,4 bilhões em 2024 e empregou cerca de 3,3 milhões de pessoas. No entanto, um choque entre modelos de gestão antigos e operações cada vez mais complexas tem gerado dificuldades.
Falta de profissionalização agrava a situação
Ricardo de Oliveira, consultor e mentor de negócios pet e fundador da Fórmula Pet Shop, destaca que o problema não reside na falta de profissionais, mas na gestão inadequada. “O setor cresceu rápido, mas a gestão não acompanhou. Muitas PMEs ainda operam sem processos claros, liderança estruturada ou visão estratégica, o que gera sobrecarga, desgaste e alta rotatividade”, afirma Ricardo.
Além disso, dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que aproximadamente 69% das empresas relatam dificuldades em encontrar e reter mão de obra qualificada. Esse cenário impacta de forma mais intensa setores como o pet, que são intensivos em serviços.
Rotatividade e sobrecarga
Profissões críticas como veterinários, tratadores e adestradores também enfrentam um déficit de profissionais em diversas regiões, o que agrava a rotatividade e a sobrecarga das equipes, conforme um levantamento da Robert Half. No varejo pet, por exemplo, o tempo médio para renovação do quadro de funcionários diminuiu de 2 anos e 3 meses em 2020 para 1 ano e 7 meses em 2024, de acordo com dados da FecomercioSP/IBGE.
Investimento em gestão é fundamental
Apesar do tamanho do mercado, o avanço financeiro não tem sido acompanhado por investimentos proporcionais em liderança, estrutura organizacional e capacitação de equipes. Ricardo observa que, em operações cada vez mais complexas e dependentes de pessoas, empresas que não profissionalizam sua gestão acabam repetindo o ciclo de rotatividade elevada e equipes instáveis.
Para ilustrar, Ricardo ressalta a importância da gestão profissional para o sucesso de uma operação:
Empresas que se organizam, definem processos e cuidam da liderança conseguem reter pessoas. As demais seguem culpando a mão de obra por um problema que é interno.
— Ricardo de Oliveira, consultor e mentor de negócios pet e fundador da Fórmula Pet Shop
Por fim, o especialista conclui que o desafio do setor não é apenas contratar, mas transformar a gestão e estruturar processos internos, de modo a tornar as PMEs mais competitivas, eficientes e capazes de manter talentos.






