Com os reajustes federais de taxas a partir de janeiro, migrar legalmente para os EUA em 2026 exige um planejamento financeiro detalhado. O advogado especialista em imigração e Direito Internacional, Daniel Toledo, avalia o cenário e explica os custos dos principais vistos de estudo, trabalho, investimento e residência. Ele também aborda os prazos médios e alerta que as taxas oficiais representam apenas parte do orçamento, já que o custo de vida, moradia e instalação têm impactado muitos planejamentos mal estruturados.
Vistos mais comuns e seus objetivos
Daniel Toledo divide a demanda em quatro objetivos principais: morar, trabalhar, estudar e investir. Para cada um, há rotas recorrentes e armadilhas frequentes.
Para estudar (F-1 e J-1)
O visto F-1 (estudante acadêmico) continua sendo a principal porta de entrada para cursos de inglês, graduação e pós-graduação. A taxa consular (MRV) para a categoria F está em US$ 185,00, de acordo com o Departamento de Estado. Além disso, há a taxa SEVIS (I-901), que para estudantes F e M, é de US$ 350,00.
O F-1 não é um visto ‘para morar’, mas é uma rota legítima para quem quer estudar e ganhar tempo para se reposicionar com estratégia. O problema é quando a pessoa entra sem projeto e sem clareza do que vem depois. Atualmente, é um dos mais desafiadores para ser aprovado.
— Daniel Toledo, advogado especialista em imigração.
Para trabalhar (H-1B, L-1, O-1)
No âmbito profissional, os caminhos variam conforme o perfil:
- H-1B (ocupações especializadas): depende de empresa patrocinadora e, em muitos casos, do processo de seleção anual.
- L-1 (transferência intraempresa): usado por executivos/gerentes ou profissionais com conhecimento especializado transferidos por grupo econômico.
- O-1 (habilidade extraordinária): aplicável a profissionais com carreira robusta e evidências de destaque.
A taxa consular para vistos baseados em petição (H, L, O) é de US$ 205,00, conforme o Departamento de Estado. Os prazos variam por categoria e centro de processamento, e o governo orienta a checagem caso a caso no painel oficial de tempos do USCIS.
Para investir e empreender (E-2 e rotas de green card)
No empreendedorismo, o visto mais citado é o E-2 (investidor de tratado), cuja taxa consular é de US$ 315,00. Toledo ressalta que, embora seja popular, ele não serve para qualquer cenário: exige investimento “substancial” e empresa real operando, com risco e execução.
Não existe valor mágico para E-2. O investimento tem de ser coerente com o tipo de negócio e com o plano operacional. O que reprova não é ‘faltar dinheiro’, é faltar lógica.
— Daniel Toledo, advogado especialista em imigração.
Já para residência permanente (green card), entram rotas como EB-1/EB-2 (incluindo NIW) por mérito e, para perfis específicos, EB-5 por investimento qualificado. Os custos e prazos aqui variam fortemente por estratégia e elegibilidade.
Custos de um processo bem estruturado
As taxas oficiais são apenas parte do orçamento. Em 2026, além do MRV e do SEVIS (para estudantes), o candidato precisa prever:
- Traduções juramentadas, certificações, cópias e envio internacional.
- Avaliações acadêmicas/profissionais (quando exigidas).
- Provas de lastro financeiro (para estudo e investimento).
- Taxas do USCIS em petições feitas dentro dos EUA, quando aplicável.
- Honorários jurídicos e custos de compliance societário/tributário (para quem empreende).
Toledo recomenda que a preparação documental comece com antecedência. “Um processo com escritório experiente não começa quando a pessoa ‘decide ir’. É preciso organizar histórico profissional, documentação, estratégia e dinheiro. Para a maioria, o ideal é trabalhar com 60 a 120 dias de preparação antes do protocolo”, destaca.
Moradia e custo de vida
O erro mais comum, segundo Toledo, é planejar só o visto e ignorar o custo de instalação. “Muita gente chega com o dinheiro do processo e descobre depois que precisa de mais alguns meses de caixa para morar, transportar-se e operar”, alerta o especialista.
Não existe um “custo EUA” único: muda radicalmente por cidade. Ainda assim, dados públicos ajudam a criar um piso de referência.
- Aluguel: relatórios nacionais do Zillow apontam melhora de acessibilidade e desaceleração, mas ainda indicam pressão relevante nas grandes áreas urbanas e na relação aluguel/renda.
- Gastos médios anuais: o Consumer Expenditure Survey do BLS indica que as despesas médias anuais do consumidor em 2024 ficaram em US$ 78.535,00 (média nacional, todas as categorias).
- Carro: estimativas da AAA para 2024 colocam o custo médio anual para possuir e operar um veículo novo em US$ 12.297,00.
- Energia elétrica: séries oficiais do EIA mostram o preço médio residencial e sua evolução, útil para estimar a conta mensal conforme consumo e estado.
Na prática, o advogado recomenda que o brasileiro trabalhe com um “colchão” de instalação: depósito/primeiro aluguel, custos de mobília, seguro, transporte e imprevistos de saúde, que variam conforme estado e perfil familiar.
Escola e faculdade
Para famílias com filhos, a matrícula em escolas públicas costuma seguir o calendário local e regras de distrito escolar (varia por condado e estado). Para o ensino superior, o custo médio publicado em 2024-25 mostra diferenças grandes entre:
- Faculdades públicas (in-state) vs out-of-state
- Community colleges ou universidades de 4 anos
- Instituições privadas
O que reduz custo de faculdade é bolsa, escolha de instituição, estratégia acadêmica e, em alguns casos, status migratório que permita condições de residente. O F-1, por definição, não foi desenhado para dar ‘benefício de mensalidade’ ao estrangeiro.
— Daniel Toledo, advogado especialista em imigração.
Abrir empresa nos EUA
Para quem pretende empreender, os EUA permitem abertura rápida de empresas, mas a velocidade depende do estado e do modelo societário.
- EIN (tax ID federal): o IRS afirma que, no sistema online, o número pode ser emitido “em minutos” e, se aprovado, “imediatamente”.
- Constituição em estados como Delaware: há serviços de processamento acelerado (inclusive no mesmo dia), conforme tabela pública de serviços expedidos.
O que não é rápido, ressalta o advogado, é transformar empresa em negócio sustentável e, em certos vistos, isso é determinante.
Quando o negócio nasce para cumprir um requisito, ele normalmente morre na primeira turbulência. Quando nasce para resolver um problema real do mercado local, aí sim ele sustenta a estratégia migratória.
— Daniel Toledo, advogado especialista em imigração.
O resumo para 2026
Com ajustes de taxas anunciados para 2026 e maior peso na comprovação e coerência dos pedidos, Toledo recomenda três passos: (1) definir objetivo principal (estudo, trabalho, investimento), (2) montar uma planilha com custos oficiais e custo de vida por cidade, e (3) preparar documentação com antecedência.
Imigração legal não é só ‘tirar visto’. É um projeto de vida com cronograma, orçamento e risco. Quem entende isso chega melhor, gasta menos no erro e escolhe caminhos mais sólidos.
— Daniel Toledo, advogado especialista em imigração.






