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Maria Caminhoneira: coragem feminina nas estradas do sertão

Maria Caminhoneira: coragem feminina nas estradas do sertão

O jornalista pernambucano Samuel Britto, conhecido por seus mais de 23 mil roteiros e conteúdos para TV, lança seu primeiro livro, “Maria Caminhoneira Sertania”. A obra já inspirou um roteiro de longa-metragem aprovado pela Lei Paulo Gustavo.

Uma história de luta e resistência no sertão

Em “Maria Caminhoneira Sertania”, Britto conta a história de uma mulher preta e mãe solo que, no sertão de Pernambuco, assume um caminhão-pipa para garantir o sustento de sua família. A narrativa expõe o machismo, o racismo e a desigualdade presentes nas estradas do Brasil profundo.

A trama, que mistura literatura e audiovisual, destaca histórias reais de resistência feminina. O autor, Samuel Britto, está disponível para entrevistas sobre a obra.

A saga de Maria Sertania

No livro, Samuel Britto apresenta Maria Sertania Ferreira da Conceição Ventura, uma mulher sertaneja de fibra e coragem. Entre 1970 e 1990, ela transforma seu sonho de dirigir um caminhão em ferramenta de sobrevivência.

Desde jovem, Maria alimentava o desejo de conduzir um caminhão, um sonho que esbarrava no machismo e na violência social da época. Após a trágica morte do marido e a perda do filho caçula, ela se vê obrigada a assumir o volante do velho caminhão-pipa Trovoada.

Enfrentando desafios e preconceitos

Em sua jornada pelas estradas sertanejas, Maria Sertania leva água para os necessitados, mas também carrega consigo histórias, tradições e dores. Mesmo com dificuldades financeiras, ela não hesita em ajudar quem precisa. No Trovoada, decorado com objetos de devoção, enfrenta longas jornadas e humilhações, mantendo a esperança em uma vida melhor.

Em certos momentos, Maria Sertania reflete sobre o futuro:

Sonho qui vai chegá o dia qui todas as Maria Sertania do Sertão, do Nordeste, do Brasil e do mundo, vão chegá aondi quisé.

Um retrato do sertão e suas faces

A narrativa se expande ao apresentar personagens que refletem a diversidade do sertão, como filhos que trilham seus próprios caminhos e relações marcadas por preconceitos. A chegada do fazendeiro árabe Zayn Al-Madini também impacta a vida de Maria, que resiste às imposições e expõe as desigualdades da região.

Samuel Britto utiliza o regionalismo linguístico para valorizar a oralidade e a cultura local. Segundo o autor, seu objetivo é promover o respeito à diversidade e a inclusão regional, sem estereótipos.

Meu objetivo na escrita é promover, acima de tudo, o respeito à diversidade e a inclusão regional sem estigmas do nosso povo.

Maria Caminhoneira Sertania é a história de uma mulher e, ao mesmo tempo, a representação de muitas outras que resistem e sonham, mesmo diante das adversidades.

Ficha técnica do livro

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