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Postos de combustíveis: 20 anos de tecnologia e eficiência

Postos de combustíveis: 20 anos de tecnologia e eficiência

Em um mercado de margens apertadas e alta volatilidade, a eficiência deixou de ser apenas operacional para se tornar um fator decisivo de margem, governança e sobrevivência para postos de combustíveis. É o que aponta o engenheiro Flávio Costa, fundador da AtonSystems, com base em 20 anos de experiência no desenvolvimento de tecnologia para o setor.

A importância da gestão de dados

O uso estratégico de dados, a automação, o controle de processos e uma cultura analítica são cruciais para antecipar gargalos e reduzir perdas invisíveis. Além disso, transformam informação em vantagem competitiva. Costa explica que, ao longo de duas décadas acompanhando a operação de perto, percebeu que a eficiência é um diferencial competitivo que determina margem, sobrevivência e capacidade de investimento.

Desde o início dos anos 2000, ele tem trabalhado diretamente no desenvolvimento de softwares comerciais e de automação para o setor. “Sempre que um posto perde o controle sobre dados, processos ou indicadores, sua lucratividade cai antes mesmo que o gestor perceba onde está o problema”, afirma.

Eficiência e tecnologia

Sob uma perspectiva prática, a eficiência se apoia em gestão de tecnologia, controle operacional e redução de assimetrias de informação. Apesar de o setor lidar com margens tradicionalmente apertadas, ainda há um grande espaço para otimização. Em muitos estabelecimentos, decisões são tomadas com base em percepções, e não em métricas consolidadas. Isso contrasta com mercados mais digitalizados, nos quais o gestor monitora o negócio quase em tempo real.

Prever gargalos é mais eficiente

Uma das principais percepções de Costa é que prever gargalos costuma ser mais barato e eficiente do que resolvê-los. Seja na automação de bombas, no controle de tanques ou na gestão de vendas, a coleta estruturada de dados permite identificar tendências que o olhar humano dificilmente captaria. A volatilidade dos preços, a oscilação diária de vendas e a sensibilidade aos movimentos concorrenciais tornam essencial trabalhar com previsibilidade, não apenas com resposta rápida.

A ineficiência aparece, muitas vezes, nas pequenas distorções. Um tanque com margem de segurança mal calculada, uma bomba com leitura divergente ou um processo de conciliação demorado podem custar caro.

O papel do gestor

Ao criar soluções específicas para o segmento, Costa percebeu que a tecnologia só gera resultados quando o gestor usa os dados de forma crítica. “Sistemas apontam inconsistências, mas é a análise que transforma alertas em ações. A eficiência nasce quando os números deixam de ser apenas registros contábeis e passam a guiar decisões estratégicas”, explica.

É comum que postos tecnicamente bem equipados ainda enfrentem rupturas operacionais. Em muitos casos, o desafio não está no software ou no hardware, mas sim na ausência de processos consistentes: falta de padronização no fechamento, ausência de auditorias internas, pouca cultura de revisão periódica e gestão de equipe sem indicadores claros de desempenho.

Transparência e governança

O avanço regulatório, tanto em questões fiscais quanto ambientais, exige um nível crescente de controle. Não se trata apenas de cumprir normas, mas de proteger o negócio contra riscos que podem comprometer sua continuidade. Uma gestão eficiente facilita o rastreamento, a auditoria e a tomada de decisão sob pressão.

“Percebo uma mudança importante no setor: os postos que evoluíram do modelo operacional tradicional para uma gestão mais analítica conseguiram melhorar margens mesmo em períodos de instabilidade. São negócios que tratam a informação como um ativo estratégico”, finaliza.

Quando a operação é organizada, previsível e monitorada, a eficiência deixa de ser um ideal e se torna consequência. E, no cenário competitivo atual, ela é um dos poucos elementos verdadeiramente capazes de proteger resultado, reputação e capacidade de crescimento.

— Flávio Costa, fundador da AtonSystems

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