O visto EB-1 é uma das principais vias de imigração para quem busca residência permanente nos Estados Unidos por mérito profissional. Essa categoria, que ocupa a primeira preferência entre os vistos employment based, exige que o candidato comprove desempenho acima da média em sua área de atuação, por meio de evidências objetivas.
O que é o visto EB-1?
Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional, explica que o EB-1 ainda é mal interpretado. “Não é um visto inalcançável, mas exige documentação sólida e estratégia. Ele é mais rigoroso que o EB-2, sem exigir que a pessoa seja um gênio fora da curva”, afirma.
Categorias do visto EB-1
O EB-1 se divide em três subcategorias, cada uma com exigências específicas:
- EB-1A: destinado a profissionais com habilidades extraordinárias em áreas como ciência, artes, educação, negócios ou esportes.
Nessa modalidade, não é exigida oferta formal de emprego nem patrocinador. “O foco está em demonstrar reconhecimento nacional ou internacional, prêmios, publicações, contribuições relevantes e uma trajetória consistente. A comparação sempre deve ser feita dentro do nicho e do país de origem do candidato”, explica Toledo.
- EB-1B: voltado a professores e pesquisadores estrangeiros com destaque acadêmico.
Neste caso, a legislação exige no mínimo três anos de experiência em ensino ou pesquisa, além de uma oferta de emprego de universidade ou instituição de pesquisa nos Estados Unidos. “A imigração exige esse vínculo porque quer ver continuidade da atividade acadêmica e relevância institucional comprovada”, diz o advogado.
- EB-1C: atende executivos e gerentes de empresas multinacionais.
É comum entre profissionais que entram no país com visto L-1 e, posteriormente, ajustam o status, embora a aplicação direta também seja possível. “O ponto central é comprovar atuação executiva fora dos Estados Unidos e a relação societária entre a empresa estrangeira e a operação americana que fará a oferta de trabalho”, aponta.
Documentação e análise do visto americano
Independentemente da categoria, o processo do EB-1 exige um alto volume de documentos. A petição é protocolada junto ao United States Citizenship and Immigration Services (USCIS) por meio do formulário I-140, acompanhada de centenas, e em alguns casos milhares, de páginas de provas.
“O EB-1 exige evidência objetiva. Não basta declaração. São necessários certificados, contratos, cartas de referência, publicações, patentes e múltiplas comprovações para cada fato alegado”, alerta Toledo.
Segundo ele, a análise é essencialmente comparativa e visual. “O agente precisa olhar o processo e entender quem é aquela pessoa, o que ela fez e o que pretende fazer nos Estados Unidos. Se o enquadramento estiver errado, o pedido pode ser negado não por falta de mérito, mas por tipificação incorreta”, explica.
Prazos e prioridade para o visto EB-1
Por estar no primeiro nível da categoria de vistos baseados em emprego, o EB-1 costuma ter prioridade no Visa Bulletin, publicação mensal que define a disponibilidade de números de visto por categoria e país. A condição de estar current depende da nacionalidade do solicitante e do mês de referência, o que exige acompanhamento constante.
O tempo de análise varia conforme o centro de processamento e a complexidade do caso. Existe ainda a possibilidade de solicitar o processamento premium, quando disponível, com resposta em prazo reduzido mediante taxa adicional. “Nem sempre recomendo o premium. Se o processo não estiver extremamente bem estruturado, acelerar pode não ser a melhor decisão”, pondera Toledo.
Estratégia para conseguir o visto americano
Para quem avalia seguir esse caminho, o planejamento de carreira é apontado como decisivo. “O EB-1 exige consistência. Publicações, prêmios, posições de liderança e reconhecimento precisam dialogar entre si e mostrar uma trajetória acima da média construída ao longo do tempo”, afirma o advogado.
Ele conclui que, apesar de seletivo, o visto é plenamente viável para profissionais que atendem aos critérios. “Poucos dominam o EB-1 em profundidade porque ele é complexo e exige estudo contínuo. Ainda assim, é uma das categorias mais interessantes para quem busca residência permanente nos Estados Unidos”, finaliza.
O EB-1 exige consistência. Publicações, prêmios, posições de liderança e reconhecimento precisam dialogar entre si e mostrar uma trajetória acima da média construída ao longo do tempo.
— Daniel Toledo, advogado






