A hanseníase, doença infecciosa crônica, acompanha a humanidade há séculos. Apesar de ter tratamento, ainda enfrenta estigmas. Essa é a história de Tokue, do livro ‘Doce Tóquio’, de Durian Sukegawa, lançado no Brasil pela Morro Branco.
A história de Tokue e a superação
Aos 76 anos, Tokue relembra sua vida marcada pela discriminação. Aos 14, foi enviada a um sanatório devido à lei de isolamento compulsório do Japão, onde permaneceu por meio século. Após a revogação da lei, ela busca ressignificar sua existência ao encontrar Sentaro, um confeiteiro, e Wakana, uma jovem em busca de identidade.
‘Doce Tóquio’ transforma a exclusão em um relato de empatia e convida à reflexão sobre memória e afeto.
Amizade e recomeço em meio a dorayakis
Com as ruas de Tóquio como pano de fundo, o romance transforma receitas em metáforas sobre afeto e cura. O leitor acompanha Sentaro, um homem solitário, cuja rotina muda ao conhecer Tokue, que possui um talento especial para preparar anko, a pasta de feijão usada nos dorayakis.
Além disso, o café se torna um ponto de encontro entre Sentaro, Tokue e Wakana, criando laços fortes em meio ao preparo dos doces. Cada dorayaki carrega histórias compartilhadas e tentativas de recomeço.
Eu não conheço ninguém no mundo além da minha irmã mais nova, com quem não tenho mais contato. Agora que não sei por quanto tempo ainda vou viver, sinto que o senhor e Wakana-chan são a minha família.
— Tokue, personagem do livro ‘Doce Tóquio’
Cura e reflexão
Conforme as estações mudam, os personagens aprendem que os vínculos humanos florescem com o tempo e cuidado. Em silêncio, eles descobrem que cozinhar também é uma forma de sentir.
No entanto, Durian Sukegawa aborda temas como exclusão social, culpa e redenção de forma sensível. Ao revelar as feridas dos personagens, o autor convida a refletir sobre o poder da escuta e da empatia.
Com tradução direta do japonês, ‘Doce Tóquio’ é uma ficção sobre cura para aqueles que buscam histórias que tocam o coração e despertam a esperança.






