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Reunião de Condomínio: livro explora sutilezas da vida urbana

Reunião de Condomínio: livro explora sutilezas da vida urbana

Em sua coletânea de contos, “Reunião de Condomínio”, Alexandre Lino explora as sutilezas e desarmonias da vida urbana. O livro narra histórias de pessoas comuns e complexas, conectadas entre si pelos fios misteriosos do destino. A obra mergulha em decisões aparentemente simples, revelando camadas de medo, frustração, desejo de aceitação e autopreservação.

Dilemas éticos e a complexidade humana

O autor cria personagens que refletem dilemas éticos comuns da vida urbana, distanciando-se de rótulos simplistas. Ao observar indivíduos em situações-limite, a obra evidencia que as falhas não anulam nossa humanidade, mas revelam sua complexidade, como explica o psicólogo Alexandre Lino:

“Reunião de Condomínio é minha primeira oportunidade de mostrar um pouco de como a desordem de meus pensamentos se formam, e como eu interpreto a vida: não existem vilões, não existem heróis, e no fim das contas é difícil simplesmente ser quem a gente é. A vida é cheia de contradições e pequenas hipocrisias. As personagens em sua maioria são pessoas comuns, que vivemos e vemos por aí todos os dias”

— Alexandre Lino, autor de “Reunião de Condomínio”

Personagens e narrativas

Em uma cidade genérica, cada história gira em torno de um narrador diferente. Há Thiago, o dono de uma empresa que jura que não será como os outros empresários, e Ferraz, um trabalhador decidido a pedir demissão. Também há Abílio, um idoso multimilionário apaixonado pela vida simples de Luiz Américo, que na verdade é um agiota fingindo ter uma vida pacata para não ser descoberto. Angelique prega que o foco é suficiente para encontrar o sucesso, mas tem uma dívida enorme com Luiz Américo.

Um trecho do livro ilustra bem essas dinâmicas:

“Se a empresa era tão boa, isso precisava ser dito ao mundo. Fechou contratos com agências de marketing para divulgar prêmios de ‘Melhor Lugar para Trabalhar’, com fotos do escritório e discursos sobre inovação. Os clientes precisavam enxergar o diferencial. Os funcionários precisavam saber quão legal era a empresa deles. Só que um dos maiores clientes era um banco. E banco gostava de certas formalidades. A vestimenta precisou se adequar. Nada grave, só ajustes. E já que as contas não batiam, o expediente de sexta-feira, antes meio período, passou a ser integral.”

— (Reunião de condomínio, p. 21-22)

A visão do autor

Ao recorrer a diferentes ângulos acerca das vivências dos personagens, Alexandre Lino une o conhecimento de sua formação em Psicologia com o fazer literário para apresentar o mundo como ele é. Distantes de um olhar dicotômico, os contos retratam como a humanidade reside nas nuances, nas contradições e nos dilemas que constituem a existência.

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