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Corte de juros nos EUA: brasileiros devem revisar patrimônio

Corte de juros nos EUA: brasileiros devem revisar patrimônio

A recente decisão do Federal Reserve (Fed) de reduzir os juros para a faixa de 3,5% a 3,75% intensifica a necessidade de revisão das estruturas patrimoniais de brasileiros com ativos nos Estados Unidos. A medida exige atenção especial em governança, sucessão e compliance até 2026.

Impacto do corte de juros nas estruturas patrimoniais

A decisão do Fed modifica o ambiente financeiro e amplia a necessidade de organização internacional de ativos. O debate ganha relevância em um cenário onde o investimento direto do Brasil nos EUA alcançou US$ 31,8 bilhões em 2023, segundo dados do SelectUSA.

Esse montante reflete a crescente presença de empresários e famílias brasileiras no mercado americano, seja através de empresas, imóveis ou participações societárias, aumentando a exposição às regras fiscais e de compliance locais.

Mudanças na taxa de juros tendem a influenciar decisões de expansão, reorganização societária e alocação de capital. O ponto central é verificar se a estrutura usada hoje está preparada para esse novo ambiente, principalmente em termos de governança, proteção patrimonial e sucessão.

— Fernanda Spanner, International Business Advisor e CEO da Spanner Consulting Group

Fragilidades em estruturas internacionais

Em ciclos de juros mais baixos, é comum que empresários revisitem projetos de crescimento ou aquisição de ativos. No entanto, esse movimento costuma expor fragilidades em estruturas internacionais, como titularidade inadequada de bens e falta de planejamento sucessório alinhado à legislação americana. Tais fatores podem gerar entraves operacionais e disputas futuras.

Planejamento sucessório e segurança jurídica

A sucessão patrimonial é um ponto sensível para não residentes com bens nos EUA. Estrangeiros com ativos acima de US$ 60 mil podem estar sujeitos a obrigações específicas relacionadas ao imposto sobre herança, conforme o Internal Revenue Service. Desse modo, o planejamento prévio torna-se essencial para evitar exposição desnecessária da família ou dos negócios.

Ademais, a incerteza regulatória para estrangeiros ganha peso em momentos de mudança no cenário monetário. Ainda que não haja alterações imediatas nas regras, a transição pode vir acompanhada de maior rigor na verificação de documentos e conformidade fiscal.

Recomendações para empresas brasileiras

Para empresas brasileiras que projetam crescimento ou consolidação de operações nos EUA até 2026, o momento é estratégico para ajustes estruturais. A revisão do enquadramento societário, a integração contábil entre Brasil e EUA e a governança da operação tornam-se tão relevantes quanto as decisões de investimento.

O foco não está em aproveitar o crédito mais barato, mas em garantir que a empresa e o patrimônio estejam organizados para sustentar decisões futuras com segurança.

— Fernanda Spanner, International Business Advisor e CEO da Spanner Consulting Group

Em suma, o corte de juros funciona como um alerta. Em um ambiente de maior circulação de capital e exigência regulatória constante, brasileiros com ativos nos EUA tendem a se beneficiar de estruturas sólidas e planejamento sucessório claro, capazes de atravessar ciclos econômicos sem comprometer o patrimônio.

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