A aplicação de inteligência artificial (IA) nas operações de fusões e aquisições corporativas avança no Brasil, em um momento de retomada gradual do mercado. Dados do relatório Global M&A Industry Trends 2025, da PwC, indicam que 68% dos bancos de investimento e consultorias financeiras globais já utilizam ferramentas de IA em alguma etapa do processo de M&A, principalmente na análise de dados, identificação de riscos e avaliação de sinergias. No Brasil, o movimento acompanha a busca por maior eficiência em transações de middle market, segmento que concentra boa parte do volume de negócios.
IA na vanguarda das operações financeiras
Na vanguarda desse cenário, a B8 Partners desenvolveu a tecnologia de sua recém lançada plataforma DeFin, e passou a adotar diversos algoritmos proprietários e ferramentas analíticas baseadas em aprendizado de máquina e inteligência artificial como apoio aos processos de fusões e aquisições, com foco em acelerar a avaliação de ativos, diminuir assimetrias de informação e qualificar decisões estratégicas em operações de compra, venda ou reorganização societária. A IA é utilizada como suporte técnico à análise, preservando o critério humano, mas ampliando a leitura de riscos, oportunidades e cenários complexos.
Segundo Beny Fard, engenheiro e cofundador da B8 Partners e da DeFin, a aplicação de IA em M&A tem impacto direto sobre a qualidade das decisões.
A inteligência artificial permite cruzar grandes volumes de dados financeiros, operacionais e setoriais em poucos minutos, algo que antes levava semanas. Isso reduz ruídos, antecipa riscos e torna o processo mais transparente para compradores e vendedores. Com o uso de nossa tecnologia proprietária aumentamos as taxas de aderência multilateral de nossas transações (match rate) em até 80%, e isto é apenas o início.
— Beny Fard, engenheiro e cofundador da B8 Partners e da DeFin
Ganhos nas fases de triagem e avaliação de ativos
Os ganhos aparecem especialmente nas fases de originação, triagem de ativos e liquidação. Relatórios do Boston Consulting Group apontam que o uso de analytics avançado pode aumentar em até 30% a taxa de acerto na seleção de alvos de aquisição, ao identificar empresas com maior aderência estratégica e menor probabilidade de passivos ocultos. No mercado brasileiro, onde muitas empresas ainda apresentam baixa padronização de informações, essa filtragem inicial se tornou um diferencial competitivo.
Além disso, na etapa de due diligence, algoritmos de machine learning passam a analisar contratos, demonstrações financeiras, contingências jurídicas e indicadores operacionais de forma automatizada. Estudo da McKinsey mostra que ferramentas de IA conseguem reduzir em até 40% o tempo médio dessa fase, além de aumentar a detecção de inconsistências que poderiam passar despercebidas em análises manuais.
Para Fard, o principal valor da tecnologia da plataforma DeFin está na capacidade de transformar dados dispersos em inteligência acionável.
Não se trata apenas de velocidade. A IA ajuda a construir cenários, simular impactos de sinergias e testar estruturas financeiras com mais rigor. Isso é especialmente relevante em operações de middle market, onde margens de erro são menores e o acesso a capital é mais sensível.
— Beny Fard, engenheiro e cofundador da B8 Partners e da DeFin
Modelagem financeira e precificação
Outro ponto de avanço está na modelagem financeira e na precificação das transações. Sistemas baseados em IA conseguem rodar múltiplos cenários de valuation, ajustando variáveis macroeconômicas, setoriais e operacionais em tempo real. Segundo a KPMG, esse tipo de abordagem reduz divergências de preço entre as partes e aumenta a taxa de fechamento das operações.
Apesar dos benefícios, especialistas ressaltam que a inteligência artificial não elimina a necessidade de governança e análise crítica.
A tecnologia amplia o alcance da análise, mas a decisão final continua sendo estratégica e humana. A inteligência artificial é uma tecnologia de apoio, não um substituto do investment banking tradicional.
Com a expectativa de maior liquidez no mercado corporativo a partir de 2026, impulsionada pela queda gradual dos juros e pela reorganização de setores intensivos em capital, a tendência é que o uso de inteligência artificial em fusões e aquisições se torne padrão. Para empresas e investidores, a combinação entre rigor analítico, experiência humana e tecnologia passa a ser decisiva para reduzir riscos e capturar valor em um ambiente cada vez mais orientado por dados.






