O avanço do uso de medicamentos à base de GLP-1, como Mounjaro e Wegovy, tem provocado mudanças faciais associadas ao emagrecimento acelerado. Com isso, dentistas estão revendo protocolos de avaliação, planejamento e ética clínica na odontologia estética.
Impacto do GLP-1 na Estética Facial
A perda acelerada de peso, característica comum em pacientes em uso contínuo de GLP-1, provoca redução significativa do tecido adiposo corporal e facial, alterando volumes, contornos e a sustentação da pele. Na prática clínica, o efeito se traduz em flacidez, aprofundamento de sulcos e mudanças estruturais no rosto, o que exige revisão de condutas na odontologia estética.
Segundo Sabrina Balkanyi, dentista formada pela USP, empresária e mentora de clínicas, a mudança é estrutural. “A tirzepatida mudou o rosto do paciente, e o dentista precisa mudar o protocolo. O que funcionava há dois ou três anos já não pode ser aplicado da mesma forma em quem está em uso de GLP-1”, afirma.
Adaptações na Rotina dos Consultórios
Na rotina dos consultórios, a primeira adaptação está na anamnese. Identificar o uso atual ou recente de medicamentos à base de GLP-1 passa a ser etapa indispensável antes de qualquer planejamento. “O histórico medicamentoso deixa de ser um detalhe e passa a orientar toda a estratégia clínica. Ignorar isso aumenta o risco de resultados inconsistentes”, explica Sabrina.
Outro ponto sensível envolve a escolha e a combinação de bioestimuladores, preenchedores e técnicas de volumização. Em pacientes que ainda estão em processo ativo de emagrecimento, procedimentos realizados sem ajuste podem resultar em sobrecorreção ou perda precoce do efeito.
“O rosto está em transformação. Em muitos casos, o mais indicado é priorizar estímulo de colágeno, melhora da qualidade da pele e acompanhar a estabilização do peso antes de intervenções volumétricas mais definitivas”, diz Balkanyi.
A Importância da Comunicação com o Paciente
Além da técnica, a comunicação com o paciente torna-se central. Alinhar expectativas, explicar limites temporais e contextualizar os resultados dentro do processo metabólico é parte da conduta responsável. “O paciente precisa compreender que estética não é um ato isolado. Ela precisa dialogar com a saúde geral e com o momento clínico de cada pessoa”, afirma a especialista.
Integração entre Odontologia e Medicina
O avanço do uso de GLP-1 também reposiciona o dentista dentro de um modelo mais integrado de cuidado. A troca de informações com médicos prescritores e outros profissionais de saúde passa a ser estratégica para decisões mais seguras.
“A odontologia estética entra em uma fase de maior integração com a medicina. Em 2026, atuar de forma isolada será um risco”, avalia Sabrina.
Com a manutenção do crescimento do uso desses medicamentos no Brasil e no mundo, o impacto sobre a estética facial tende a se consolidar como tema central de atualização clínica no próximo ano. Para especialistas, revisar protocolos não é tendência, é uma exigência técnica.
“Quem não se atualizar vai enfrentar frustração do paciente, retrabalho e questionamentos éticos. O momento pede estudo, critério e responsabilidade clínica”, conclui Sabrina Balkanyi.






