A tirzepatida, medicamento aprovado para controle crônico do peso, tem se popularizado e, com ela, a busca por procedimentos estéticos para preservar a naturalidade facial. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 68% dos brasileiros adultos estão acima do peso, sendo mais de 30% com obesidade. Estudos clínicos mostram que o uso da medicação pode levar à perda de 16% a 22,5% do peso corporal em até 72 semanas.
Impacto do emagrecimento no rosto
No entanto, a biomédica esteta Angélica Lucena alerta que o emagrecimento acelerado também afeta a face. “O uso da tirzepatida muda a composição de gordura do rosto e do corpo. Em alguns casos, é indicado intercalar ou ajustar o momento dos procedimentos para garantir proporcionalidade. A avaliação precisa é o que define o melhor momento para cada paciente”, afirma.
A perda rápida de gordura subcutânea pode levar ao esvaziamento do terço médio do rosto, evidenciando sulcos e flacidez. Segundo a especialista, antecipar decisões definitivas é um erro comum. “Quando a perda de gordura ainda está em curso, procedimentos volumizadores podem ter efeito transitório ou exigir correções em curto prazo”, explica.
Planejamento estético progressivo
Na prática clínica, o planejamento prioriza intervenções voltadas à qualidade da pele no início e durante o tratamento. Bioestimuladores, tecnologias para estímulo de colágeno e protocolos regenerativos ajudam a preservar a firmeza e a textura da pele, criando uma base mais segura para etapas futuras. Além disso, a professora observa que, nos primeiros meses de uso da medicação, o organismo passa por ajustes intensos, tornando o contorno facial mais instável.
“Deixar a harmonização estrutural para quando o peso estiver mais próximo da estabilização aumenta a previsibilidade do resultado”, afirma Angélica, fundadora do método AL de planejamento estético progressivo.
Orientações para aliar emagrecimento e estética
Diante desse cenário, Angélica Lucena preparou sete orientações práticas para quem deseja aliar emagrecimento e estética facial com segurança e naturalidade:
- Avaliação facial antes do tratamento: Registrar imagens padronizadas e analisar proporções antes da primeira dose permite acompanhar a evolução real do rosto.
- Priorizar a qualidade da pele no começo do uso: Nos primeiros meses, o foco deve ser hidratação profunda, estímulo de colágeno e melhora da textura cutânea.
- Evitar preenchimentos volumizadores durante a fase de maior perda de peso: Intervenções estruturais podem se tornar desproporcionais.
- Tratar flacidez antes de repor volume: Recuperar a firmeza da pele é fundamental antes de pensar em reposicionamento de volumes.
- Aguardar a estabilização do peso para harmonizações estruturais: Reduz o risco de sobrecorreção e aumenta a durabilidade do resultado.
- Integrar acompanhamento estético e médico: Alinhar o planejamento estético ao profissional que prescreve a medicação.
- Entender a harmonização como um processo contínuo: A estética facial deve ser construída em etapas, respeitando o tempo biológico do corpo.
Harmonização não deve ser uma reação automática à perda de peso. Quando o profissional respeita o tempo do corpo e a nova configuração facial do paciente, o resultado tende a ser mais natural, duradouro e coerente com o novo biotipo.
— Angélica Lucena, biomédica esteta






