Com o início de um novo ano, o interesse dos brasileiros por investimentos e organização financeira aumenta. Contudo, junto a ele, cresce também a quantidade de conteúdos sobre dinheiro nas redes sociais. De acordo com um levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), mais de 60 milhões de brasileiros já investem ou pretendem investir. Grande parte desse público busca informações prioritariamente na internet e em redes sociais como Instagram e TikTok.
Influenciadores financeiros: cautela é fundamental
Esse cenário impulsionou o crescimento dos influenciadores financeiros, que ajudam a popularizar temas antes restritos a especialistas. No entanto, para André Bobek, fundador da Mhydas Planejamento Financeiro, o aumento do alcance não elimina a necessidade de cautela. “A democratização do conteúdo financeiro é positiva, mas ela também traz um risco importante: a ideia de que decisões complexas podem ser tomadas com base em dicas rápidas e generalistas”, afirma.
Dados da própria Anbima revelam que mais da metade dos investidores brasileiros possuem baixo nível de conhecimento financeiro, o que amplia a vulnerabilidade a discursos que prometem retornos elevados com pouco risco. Bobek explica: “Quando o seguidor não entende conceitos básicos como volatilidade, liquidez e horizonte de investimento, ele fica mais exposto a frustrações e perdas”.
Planejamento financeiro é essencial
O especialista destaca que muitos influenciadores compartilham experiências pessoais legítimas, mas isso não substitui um planejamento estruturado. “O erro está em tratar a exceção como regra. Uma estratégia que funcionou em determinado contexto econômico ou perfil de renda pode ser inadequada, ou até prejudicial, para outra pessoa”, diz.
Outro ponto de atenção é o incentivo a decisões imediatas. “O mercado financeiro é cíclico e o Brasil convive historicamente com juros elevados, inflação pressionada e instabilidade econômica. Ainda assim, é comum ver conteúdos que estimulam movimentos rápidos, sem considerar objetivos de longo prazo ou a saúde financeira como um todo”, analisa Bobek.
Dicas para investir com segurança
Para quem começa o ano com a meta de investir melhor, o fundador da Mhydas reforça que o caminho mais seguro passa pelo planejamento. “Antes de escolher produtos financeiros, é fundamental organizar o orçamento, formar uma reserva de emergência e definir metas claras. Investimento não deve ser encarado como aposta, mas como parte de uma estratégia de vida”, afirma.
Bobek avalia que os influenciadores podem ter um papel complementar, desde que o público adote uma postura crítica. “Conteúdos nas redes ajudam a despertar interesse e ampliar o debate sobre dinheiro. Mas decisões que impactam patrimônio, aposentadoria e qualidade de vida exigem análise, método e, muitas vezes, acompanhamento profissional”, conclui.
A democratização do conteúdo financeiro é positiva, mas ela também traz um risco importante: a ideia de que decisões complexas podem ser tomadas com base em dicas rápidas e generalistas.
— André Bobek, fundador da Mhydas Planejamento Financeiro






