Começar um negócio de e-commerce em 2026 exige foco em produto validado, proteção de caixa e uso inteligente de dados, segundo especialista. Com o avanço do social commerce e margens mais apertadas, o setor, que já movimenta mais de R$ 200 bilhões no Brasil, vê mais de 75% dos consumidores descobrindo produtos pelas redes sociais.
Estratégias para e-commerce em 2026
Sabrina Nunes, fundadora da Francisca Joias e especialista em vendas online, aponta sete orientações práticas para quem quer começar do zero. O objetivo é evitar erros comuns, como excesso de estoque, muitos canais e gastos antes da validação da venda.
Para ela, o erro mais comum de novos empreendedores continua sendo investir em estoque antes de entender como vender. “A maioria das lojas quebra porque compra produtos sem ter estratégia de venda. Em 2026, errar custa mais caro, porque a concorrência é maior e o caixa acaba rápido”, afirma.
Foco no produto e menos variedade
De acordo com Sabrina, quem começa sem marca, seguidores ou estrutura precisa inverter a lógica tradicional do varejo. O primeiro passo é escolher um produto com demanda já comprovada, margem adequada e logística simples. “Menos variedade e mais foco. Um único produto bem trabalhado pode escalar mais do que um mix grande sem estratégia”, diz.
Nesse sentido, o movimento ganha força com a consolidação do social commerce. Um relatório da Accenture estima que esse modelo deve crescer três vezes mais rápido que o e-commerce tradicional até 2026. No Brasil, a chegada do TikTok Shop reforça a tendência. “Se eu estivesse começando hoje, concentraria energia em um canal em crescimento, como o TikTok Shop, em vez de tentar estar em todas as plataformas ao mesmo tempo”, afirma Sabrina. Para ela, produzir conteúdo e vender no mesmo ambiente reduz custos e acelera a validação do produto.
Proteção do caixa e estratégias regionais
Outro ponto central é a proteção do caixa no início da operação. A empresária defende negociações com fornecedores para compras menores e reposição gradual, além de evitar gastos elevados com embalagem e estética antes de gerar vendas consistentes. “O dinheiro precisa ir para onde volta rápido: produto, tráfego e conhecimento. Embalagem sofisticada não sustenta negócio sem venda”, diz.
Além disso, Sabrina destaca que o começo de 2026 favorece estratégias regionais. Dados do Sebrae mostram que negócios digitais com foco local têm maior taxa de sobrevivência nos primeiros dois anos. “Fortalecer a marca de dentro para fora, começando pela própria região, é mais eficiente do que tentar vender para o Brasil inteiro logo de início”, afirma.
Com mais de 36 mil alunas em cursos e mentorias espalhadas pelo país e uma operação que começou com investimento inicial de R$ 50, a empresária diz que o aprendizado mais importante é abandonar improvisos. “A internet muda rápido. Fórmulas mágicas não funcionam mais. O que funciona é estratégia validada, leitura de tendência e investimento em conhecimento”, afirma.
Para ela, o empreendedor que entra em 2026 precisa entender que crescimento exige visão de longo prazo e reinvestimento contínuo. “Negócio só cresce até onde o dono enxerga. Se não houver clareza de onde se quer chegar, a empresa para antes”, conclui.
7 dicas práticas para e-commerce em 2026
A especialista elenca sete orientações práticas para quem pretende montar uma loja online ao longo de 2026 e reduzir erros comuns no início da operação:
- Comece pelo produto, não pela marca: Antes de pensar em identidade visual ou redes sociais, valide um produto com demanda comprovada, margem adequada e logística simples. Produto certo protege o caixa.
- Reduza o mix para ganhar velocidade: Trabalhar com poucos itens, ou até com um único produto, facilita controle de estoque, comunicação e escala. Variedade excessiva dilui esforço e capital.
- Negocie estoque de forma progressiva: Evite grandes compras iniciais. Busque fornecedores dispostos a vender em menor volume para validação e aumente pedidos conforme a venda acontece.
- Escolha um canal principal de venda: Concentrar energia em uma plataforma em crescimento, como o social commerce, tende a gerar resultado mais rápido do que tentar operar em vários canais ao mesmo tempo.
- Invista primeiro onde o dinheiro retorna: No início, recursos devem ir para produto, tráfego e conhecimento. Embalagem sofisticada e estética vêm depois da venda recorrente.
- Fortaleça a marca de dentro para fora: Começar pela região ou estado ajuda a ganhar relevância local, reduzir custos de mídia e criar prova social antes de ampliar a atuação.
- Trate conhecimento como ativo estratégico: Aprender com quem já percorreu o caminho reduz tempo, dinheiro e erros. Informação certa acelera decisões e aumenta a chance de sobrevivência do negócio.
Segundo a especialista, essas escolhas fazem diferença especialmente no cenário de 2026, em que o e-commerce segue crescendo, mas com menos espaço para improviso e decisões intuitivas.






