Em tempos de greenwashing e discursos ambientais vazios, o artista Marcos Goes lança o livro “Povo Vivo”, uma obra que utiliza tintas naturais e processos de baixíssimo impacto ambiental para retratar lideranças indígenas. A escolha do método de criação reforça a mensagem: a arte como um gesto ecológico, ancestral e político.
Arte como manifesto ecológico e político
A publicação da Hanoi Editora apresenta reproduções de ilustrações criadas com tintas naturais e nanquim ecológico. O livro homenageia líderes indígenas brasileiros que permanecem ativos na defesa dos povos originários e da natureza. Entre os retratados, destacam-se nomes como o Cacique Raoni Metuktire, símbolo mundial da preservação da Amazônia; Sônia Guajajara, Ministra dos Povos Indígenas; Ailton Krenak, pensador e ativista; Davi Kopenawa, xamã yanomami; e Joênia Wapichana, a primeira mulher indígena a se tornar advogada no Brasil. A lista se completa com Myrian Krexu, Daniel Munduruku, Cristine Takuã, Francisco Piyãko e Eliane Yawanawá, representantes de diversas comunidades e territórios.
Além disso, a obra aborda temas cruciais relacionados à luta indígena, desde a invasão colonial até os conflitos contemporâneos. São discutidas violências, massacres, demarcação de terras, políticas públicas e a crise climática. Marcos Goes também menciona órgãos e projetos ambientais que se dedicam à preservação desses povos e seus territórios. O artista, dessa forma, convida o leitor a reconhecer a urgência dessas pautas, conectando arte, educação e responsabilidade social.
A escolha das tintas naturais como resgate de saberes ancestrais
A opção por tintas naturais transcende a estética. Trata-se de um resgate de saberes antigos, um gesto tanto espiritual quanto sustentável. Marcos Goes enfatiza que os processos de extração e criação dos pigmentos representam conhecimentos sagrados transmitidos ao longo das gerações, permitindo que sua arte se conecte à natureza com cuidado, presença e propósito. A produção manual dos materiais, com seu baixíssimo impacto ambiental, reforça a dimensão ritualística e ecológica da obra.
As escolhas materiais também comunicam valores. A sustentabilidade precisa ir além do discurso.
— Marcos Goes, artista
Marcos Goes é publicitário, diretor de criação e artista natural, com uma trajetória marcada pelo engajamento em projetos de preservação ambiental. Ele já atuou junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e em movimentos de ativismo artístico, como o Cinzas da Floresta. Em “Povo Vivo”, Goes une espiritualidade, ancestralidade e responsabilidade ambiental para celebrar mestres indígenas que continuam a construir futuros possíveis para o Brasil.



