A 609 Filmes, produtora nascida na periferia da zona sul de São Paulo, está em nova fase. Ganhadora de prêmios em festivais nacionais e internacionais, a empresa se consolida como produtora e espaço formativo, unindo acolhimento, diversidade e excelência técnica. Para isso, desenvolveu uma metodologia própria que transforma a experiência periférica em potência criativa. Os pilares são a formação coletiva, a horizontalidade e a inclusão de corpos dissidentes e periféricos em todas as etapas do processo.
Prêmios e reconhecimento internacional
A 609 Filmes já coleciona conquistas relevantes. Entre elas, a vitória de Casa 448 no Curtas em Foco (EBAC/O2 Filmes), o prêmio de Melhor Argumento de Curta pelo Aldir Blanc 2020 (Vermelho Marsala) e o prêmio de Melhor Fotografia no CINE RO – Festival de Cinema de Rondônia (Nicobé). Além disso, o curta Perifericu (2019) venceu mais de 30 prêmios e foi finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.
A produtora também participou do programa de aceleração de empresas audiovisuais Amplifica Cine, que fortaleceu sua estrutura de negócio. Outro destaque é o lançamento da Cinemateca de Quebrada em Paris, com atividades no Centre Pompidou e no cinema MK2, em parceria com a Biblioteca MK2. O projeto visa a preservação do material audiovisual das periferias do Brasil e do mundo, em coprodução com Astúcia Filmes, RAMO e Coletivo Quitu.
Cinema de Quebrada como método criativo
Entre os trabalhos anteriores, destacam-se o curta Casa 448, selecionado para integrar a série Meu Olhar do Canal Futura (disponível no Globoplay), e o videoclipe Hermanas, em parceria com as Irmãs de Pau, exibido na Mostra Mix Brasil. Essa experiência é fruto da trajetória de seus fundadores: Stheffany Fernanda, Pedro Miosso e William Gomes. Os cineastas e produtores viveram os desafios da criação audiovisual nas periferias e criaram a 609 como resposta a essa realidade.
A nova fase da produtora foi anunciada em dezembro, em parceria com a Deck9 House, e marcou o relançamento institucional da 609 Filmes. O evento contou com a exibição de “Pocas pra Entender”, documentário híbrido dirigido por Stheffany Fernanda e Pedro Miosso, que estreou na 33ª edição do Festival Mix Brasil. Além disso, o evento teve apresentações musicais que reforçaram o diálogo entre cinema, música e cultura periférica.
Evento de relançamento
A programação incluiu a performance do multiartista Mulambo e sets dos DJs Harlley, DJ Guxtavinho e DJ Sthe, criando um ambiente de celebração, troca e afirmação das potências criativas da quebrada.
Com produção executiva de Renata de Oliveira, referência no cenário cultural negro paulistano, o evento reafirma o compromisso da 609 em articular cinema, diversidade e economia criativa.
Nosso objetivo é mostrar que o cinema periférico não é apenas cenário ou estética, mas metodologia, identidade e potência de transformação cultural e social.
— Stheffany Fernanda, diretora e sócia da 609 Filmes






