O follow-up, ferramenta crucial na assessoria de imprensa, foi tema central no Summit Press 2025, levantando questões sobre sua eficácia e ética. Afinal, o follow-up tem sido usado adequadamente? Ele auxilia o jornalista ou importuna a redação? Uma coisa é certa: não há follow-up que salve uma pauta ruim.
Afinal, o que é follow-up?
O termo, que em inglês significa “acompanhamento”, é uma das ferramentas mais antigas e controversas na assessoria de imprensa. Sua função principal é garantir que a sugestão de pauta não se perca no dia a dia das redações. No entanto, a maneira como é executado define a relação entre assessores e jornalistas, equilibrando diligência e importunação.
A questão central é o uso adequado. O follow-up é um lembrete, uma oferta de dados adicionais e uma confirmação de recebimento. Em redações enxutas e com excesso de informação, o acompanhamento estratégico aumenta as chances de visibilidade da notícia. Pesquisas indicam que um follow-up eficaz pode impulsionar a taxa de publicação de um texto.
Quando o follow-up se torna importunação?
É fácil errar a mão. O follow-up importuna quando é excessivo, mal cronometrado ou desinformado. O profissional de imprensa, sob pressão de prazos, não pode perder tempo com ligações ou e-mails que apenas perguntam: “Recebeu o release?”, sem agregar valor. A insistência após uma recusa, o contato em horários de fechamento e o desconhecimento da linha editorial são os maiores problemas. Pesquisas mostram que muitos jornalistas consideram o follow-up mal conduzido um obstáculo.
Como fazer um follow-up eficaz
Um bom follow-up respeita o tempo do jornalista. Ele é personalizado, oferece informações adicionais (um ângulo diferente, um contato exclusivo, uma estatística relevante) e demonstra que o assessor conhece o veículo e a editoria. Não é uma checagem robótica, mas uma continuidade no relacionamento.
O assessor deve conhecer o que é notícia para aquele veículo e o que o cliente pode oferecer, praticando um jornalismo de qualidade para ser reconhecido como fonte de informações relevantes.
A importância do jornalismo de qualidade
O jornalismo de qualidade é regido pela relevância e o interesse público. Nenhuma técnica de persuasão transforma um conteúdo mercadológico em notícia de interesse geral.
Entretanto, o follow-up pode resgatar uma pauta mediana, aprimorando o ângulo noticioso e apresentando a informação sob um prisma mais relevante. Além disso, oferecer exclusividade, com dados ou fontes aprofundadas, eleva a informação de nota corporativa a um contexto social ou econômico maior. Nesse sentido, o follow-up funciona como uma negociação de valor, não como uma venda forçada.
O segredo é o equilíbrio
Como tudo na vida, é necessário equilíbrio. O follow-up é a arte do bom senso e do conhecimento. Para ser eficaz, deve ser uma ponte de relacionamento e informação, não um martelo de insistência. O respeito mútuo entre assessor e jornalista garante a visibilidade do assessorado e a qualidade do trabalho da redação.
Vera Lucia Rodrigues é jornalista profissional, mestre em comunicação social e diretora da Vervi Assessoria de Comunicação.





