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Acordo Mercosul-UE impulsiona fruticultura, diz IFPA

Acordo Mercosul-UE impulsiona fruticultura, diz IFPA

A fruticultura brasileira pode se beneficiar do acordo entre Mercosul e União Europeia. A IFPA (International Fresh Produce Association) avalia positivamente o cronograma de redução gradual das tarifas de importação aplicadas às frutas do Brasil.

Cronograma de redução de tarifas

Luiz Roberto Barcelos, conselheiro da IFPA e diretor da Abrafrutas, explica que o processo de desgravação será escalonado conforme o produto. A uva terá isenção imediata, enquanto o melão terá prazo de até sete anos. Limão e abacate terão redução ao longo de quatro anos, com queda de 25% ao ano. Já a maçã, por ser produzida no hemisfério norte, terá o maior prazo, de até dez anos, visando proteger os produtores europeus.

Atualmente, as frutas brasileiras enfrentam uma média de 10% de imposto para entrar no mercado europeu, variando conforme o produto. Por exemplo, o melão tem cerca de 8,8% de imposto, e a uva, até 14%. Esse custo reduz a competitividade do Brasil em relação a países como Peru, Equador e Colômbia, que já contam com isenções ou tarifas reduzidas por integrarem o Sistema Geral de Preferências (SGP) da União Europeia.

Luiz Roberto destaca que a retirada dessas tarifas tende a baratear o produto, ampliar a competitividade e estimular o consumo entre os europeus. Além disso, a fruticultura brasileira e a produção europeia atuam em janelas complementares de oferta. O Brasil exporta frutas como melão e melancia em períodos de entressafra europeia, além de frutas tropicais que não são produzidas localmente ao longo de todo o ano.

Expectativas e desafios

Apesar do otimismo, o acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países do Mercosul e da União Europeia. A expectativa é de que a implementação do tratado resulte em aumento das exportações, diversificação da pauta exportadora e maior entrada de divisas no país. O impacto deve ser especialmente positivo para o Nordeste, região onde se concentra grande parte da produção de frutas destinadas ao mercado externo.

Valeska de Oliveira Ciré, Country Manager da IFPA, ressalta que:

A desgravação não é só tarifa menor, é um convite para o Brasil jogar o jogo global com estratégia. Quem se preparar agora — com rastreabilidade, padrão e agenda comercial — vai transformar calendário de redução em contratos e market share.

— Valeska de Oliveira Ciré, Country Manager da IFPA

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