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Consultórios: gestão empresarial é crucial em 2026, diz especialista

Consultórios: gestão empresarial é crucial em 2026, diz especialista

A odontologia entra em 2026 com mais de 426 mil dentistas no país e sob pressão da alta concorrência, custos crescentes e pacientes mais exigentes. Um ponto de virada expõe a fragilidade de consultórios sem gestão empresarial. Dados do IBGE e do Sebrae mostram que falhas em gestão financeira e planejamento seguem entre os principais fatores de fechamento de clínicas, mesmo em um mercado com demanda ativa.

Fim do modelo baseado apenas em técnica

A dentista e mentora Sabrina Balkanyi avalia que o modelo baseado apenas em técnica se esgotou. Segundo ela, o desconhecimento de indicadores, problemas de precificação e ausência de processos tornam os consultórios mais vulneráveis e limitam crescimento e sustentabilidade.

Durante anos, era possível sustentar um consultório apenas com boa técnica e agenda cheia. Esse tempo acabou. Em 2026, quem não entende seus números perde competitividade rapidamente.

— Sabrina Balkanyi, dentista e mentora de clínicas

O alerta é reforçado por dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, que apontam que cerca de 60% dos pequenos negócios da área da saúde encerram as atividades antes de completar cinco anos, principalmente por falhas em controle financeiro e planejamento. No caso das clínicas odontológicas, o problema não costuma ser a demanda, mas a incapacidade de transformar atendimento em resultado sustentável.

Indicadores financeiros são cruciais

Para Sabrina, a ausência de indicadores compromete decisões estratégicas ao longo do ano. Custos fixos mensais, margem por procedimento, taxa de conversão de orçamentos e ticket médio ainda são desconhecidos por muitos profissionais. “Sem esses dados, o dentista trabalha muito, mas não sabe onde está ganhando ou perdendo dinheiro. Isso fragiliza o negócio”, diz.

Estrutura interna e eficiência

Além disso, a estrutura interna também entra no centro do debate. Papéis pouco definidos, equipes sem metas claras e processos improvisados aumentam a dependência do dono e reduzem eficiência operacional. “Quando tudo passa pelo dentista, o consultório não escala. Organização não é burocracia, é condição para crescer”, avalia a especialista.

Precificação e experiência do paciente

Outro ponto crítico é a precificação. Levantamentos do Sebrae indicam que empresas que não conhecem seus custos reais tendem a operar com margens inconsistentes. “Preço baseado apenas no mercado ignora a realidade de cada clínica. Custos, estrutura e posicionamento precisam entrar nessa conta”, afirma Sabrina.

A experiência do paciente também passou a ter peso econômico maior. Jornadas desorganizadas, falhas de comunicação e ausência de acompanhamento reduzem retenção e previsibilidade de receita. “Gestão aparece no atendimento, no financeiro e na capacidade de manter o consultório saudável ao longo do tempo”, diz.

Na avaliação da mentora, 2026 consolida uma mudança estrutural no setor. “A técnica continua essencial, mas deixou de ser suficiente. O consultório que não se organizar como empresa tende a perder espaço, mesmo em um mercado com alta demanda”, conclui.

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