O tráfego pago, que sempre foi um motor de crescimento para empresas, está em um cenário complexo. Apesar dos gastos com publicidade digital crescerem globalmente, o custo para conseguir clientes tem sido um desafio para quem só usa anúncios pagos.
Cenário e desafios do tráfego pago
Quando o assunto são campanhas no Google, Meta ou outras plataformas, a dúvida é se esse modelo ainda vale a pena em 2026, considerando o aumento dos custos, a concorrência e a divisão do público.
Robson V. Leite, especialista em negócios digitais, acompanha a evolução das estratégias de aquisição de clientes e o papel do tráfego pago no marketing digital.
Dados globais mostram que os custos de publicidade continuam altos. Relatórios recentes indicam que o investimento em publicidade digital deve ultrapassar US$ 850 bilhões até 2026. Isso mostra que a dependência de canais pagos continua alta, mesmo com os desafios de custo e retorno.
O paradoxo do investimento em mídia digital
No entanto, existe um paradoxo: embora haja mais dinheiro investido em mídia digital, os custos médios por lead e por aquisição tendem a aumentar, afetando as margens e a previsibilidade financeira. Dados de mercado mostram que o Custo por Lead (CPL) médio para empresas em 2025 foi projetado em cerca de US$ 84, com o Google Ads registrando uma média de aproximadamente US$ 70 por lead.
Para Robson, não basta apenas aumentar o orçamento. “A tendência de custo por aquisição crescer é resultado direto da competição por espaço e atenção. Em ambientes com mais anunciantes, quem não estrutura a operação e o funil de conversão adequadamente paga caro por campanhas que produzem retorno baixo ou inconsistente. Crescer com tráfego pago sem modelo por trás não é escalar, é queimar caixa”, afirma.
A importância da estratégia e da qualidade
Além disso, é preciso olhar além da simples execução de campanhas. À medida que plataformas e algoritmos evoluem, a eficácia dos anúncios depende cada vez mais da qualidade do criativo, da segmentação, da jornada do cliente e da integração com outros canais orgânicos e próprios.
A otimização de lances em Google ou Meta não garante retorno sustentável se não houver alinhamento estratégico de toda equipe.
Alternativas ao tráfego pago tradicional
Muitas empresas estão repensando sua dependência do tráfego pago e buscando complementar suas estratégias com outras fontes de demanda. Entre elas, destacam-se investimentos em conteúdo orgânico, SEO e comunidades, buscando reduzir a dependência de custos elevados por clique.
Isso não quer dizer que o tráfego pago vai acabar, mas sim que sua função no marketing está mudando. Em 2026, a escalabilidade deve ser medida pela relação entre custo, retorno financeiro e sustentabilidade operacional, e não apenas pelo volume de anúncios. Modelos de aquisição que combinam mídia paga com estruturas internas robustas tendem a apresentar desempenho mais equilibrado, com menos volatilidade e maior previsibilidade de crescimento.






