Com a aprovação do acordo Mercosul-União Europeia, o fluxo de exportações e investimentos tende a aumentar. Em 2024, o Brasil exportou US$ 48,3 bilhões para a UE, segundo dados oficiais. A expectativa é de expansão com a abertura de operações brasileiras no continente europeu. O acordo Mercosul Uni?o Europeia, portanto, pode ser um divisor de águas para empresas brasileiras.
Internacionalização exige planejamento
Para Fernanda Spanner, CEO da Spanner Consulting Group, a internacionalização acelerada exige estrutura jurídica, patrimonial e sucessória. Sem planejamento integrado, empresas e famílias empresárias podem enfrentar ineficiências tributárias, riscos jurídicos e conflitos sucessórios ao distribuir ativos em diferentes países.
O acordo acelera a presença das empresas brasileiras na Europa e antecipa decisões que muitos empresários ainda não estavam preparados para tomar do ponto de vista patrimonial.
— Fernanda Spanner, CEO da Spanner Consulting Group
A expansão para a Europa geralmente envolve a criação de holdings no exterior, a abertura de empresas operacionais fora do Brasil e a manutenção de contas bancárias, ativos financeiros e imóveis em diferentes países. Esse novo cenário amplia oportunidades, mas exige integração entre as estruturas.
Riscos da falta de planejamento
No entanto, quando essas decisões são tomadas de forma isolada, o risco é pagar mais impostos e perder eficiência na proteção do patrimônio.
Planejamento sucessório ganha importância
A internacionalização também acelera discussões sucessórias que muitas famílias empresárias costumam adiar. Com patrimônio distribuído em mais de uma jurisdição, entram em cena herdeiros residentes em países diferentes e legislações sucessórias que não seguem os mesmos critérios. Desse modo, o planejamento se torna ainda mais crucial.
Quando ativos e herdeiros estão em países distintos, a sucessão deixa de ser um assunto doméstico. Sem planejamento, o processo tende a ser mais longo, mais caro e juridicamente mais complexo.
— Fernanda Spanner, CEO da Spanner Consulting Group
Nesse cenário, estruturas como holdings patrimoniais, acordos societários e instrumentos sucessórios compatíveis com cada país passam a ocupar papel central. O acordo amplia o patrimônio internacional antes que muitas famílias tenham regras claras de governança e sucessão. Isso cria um descompasso perigoso.
Estrutura adequada para o crescimento
Na avaliação de Spanner, o acordo abre um ciclo positivo para empresas que pretendem expandir sua atuação internacional, desde que a internacionalização seja acompanhada de estrutura jurídica adequada. Afinal, crescer fora do Brasil significa lidar com novos sistemas tributários, regras societárias e leis sucessórias. Ignorar esse conjunto compromete o resultado no médio e longo prazo.
Para ela, a mensagem é direta: o acordo amplia oportunidades reais, mas só gera valor de forma sustentável para quem estrutura corretamente o patrimônio e o negócio desde o início.






