A busca por agilidade e flexibilidade tem levado empresas a descentralizar decisões, distribuindo responsabilidades entre equipes. No entanto, essa abordagem pode gerar problemas de gestão se não houver objetivos claros e coordenação. Um estudo recente da McKinsey aponta que empresas com equipes autônomas, mas desalinhadas, perdem eficiência ao escalar suas operações. A descentralização, quando feita sem o devido alinhamento, expõe falhas críticas na gestão empresarial.
Os riscos da autonomia sem direção
Em ambientes descentralizados, a autonomia é vital para a agilidade. O problema surge quando essa autonomia não é acompanhada de objetivos claros, critérios de decisão e coordenação. O resultado? Retrabalho, iniciativas concorrentes e dificuldade em gerar valor para o negócio.
Alexandre Abdalla, CEO da PPM Education, especialista em transformação organizacional e governança ágil, acompanha de perto os impactos da descentralização mal estruturada. Para ele, o ponto central não é restringir a autonomia, mas criar condições para que ela funcione de forma sustentável.
Autonomia não significa cada time decidir sozinho o que é prioridade. Sem critérios claros, propósito compartilhado e métricas de valor, a autonomia vira dispersão.
— Alexandre Abdalla, CEO da PPM Education
O papel da liderança intermediária
Em estruturas descentralizadas, gestores médios frequentemente precisam mediar conflitos entre equipes autônomas e alinhar demandas. Sem um modelo de governança claro, essa camada se sobrecarrega, aumentando o risco de decisões inconsistentes e desgaste. O custo humano, nesse caso, antecede o financeiro.
Princípios para equilibrar autonomia e alinhamento
Empresas que conseguem equilibrar autonomia e alinhamento geralmente adotam princípios como objetivos estratégicos explícitos, métricas orientadas a valor, alinhamento regular entre áreas e mecanismos de governança simples. A gestão, nesses ambientes, foca em definir limites e expectativas comuns, permitindo que as decisões ocorram perto do problema, mas dentro de um mesmo norte estratégico.
O futuro da descentralização
À medida que mais organizações adotam estruturas distribuídas, o debate sobre autonomia se aprofunda. Em um cenário complexo, descentralizar decisões é quase inevitável, mas o desafio está em fazer isso sem perder coesão, foco e capacidade de execução. Ignorar essa equação pode ter um alto custo.






