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Ensino superior: flexibilidade ou experiência presencial?

Ensino superior: flexibilidade ou experiência presencial?

O ensino superior brasileiro passou por uma transformação nos últimos anos, impulsionada pela expansão do EAD e o impacto da pandemia. No entanto, dados recentes revelam um movimento relevante: a retomada do valor da experiência presencial na formação dos estudantes. Afinal, o que realmente move o estudante de hoje: flexibilidade ou pertencimento?

O cenário híbrido do ensino superior

De acordo com Ewerton Camarano, CEO da Uliving, o cenário híbrido mostra que o estudante brasileiro não escolhe apenas um formato pelo formato. “Ele busca pertencimento e interação humana no presencial, enquanto valoriza a flexibilidade e a autonomia que o digital proporciona. O resultado não é a substituição de um modelo pelo outro, mas uma reorganização que reflete expectativas mais amplas sobre como aprender, conviver e construir futuro”, explica.

Expansão do EAD e a busca por qualidade

A expansão do EAD ao longo da última década permitiu que estudantes conciliassem trabalho, deslocamento e estudo. Entre 2014 e 2024, o crescimento acumulado das matrículas chegou a 280%, passando de 17% para 54% do total, segundo o Censo da Educação Superior.

Em 2024, todas as regiões do país registraram aumento. No Sudeste, a expansão alcançou 8,6%. Nos estados de São Paulo, Pernambuco e Distrito Federal, o crescimento ultrapassou a marca de 10%. Esses números mostram que o digital responde a demandas reais de acesso, especialmente para quem antes não conseguia ingressar no ensino superior.

Além disso, esse avanço também exigiu maior atenção à qualidade. O MEC reforçou exigências presenciais para formações específicas e revisou diretrizes de avaliação. Isso indica amadurecimento e uma busca por equilíbrio entre democratização e responsabilidade acadêmica.

A importância da experiência presencial

Embora o ensino digital atenda a questões práticas, a presença física continua desempenhando um papel que o digital não substitui. A vida universitária envolve convivência, construção de vínculos, desenvolvimento de autonomia e amadurecimento emocional. Para muitos jovens, estudar presencialmente significa participar de uma comunidade e desenvolver habilidades sociais que influenciam trajetórias profissionais e pessoais.

Após a pandemia, o ensino presencial voltou a crescer, registrando 5,6% de aumento nas matrículas entre 2023 e 2024. A retomada revela que muitos estudantes ainda querem vivenciar a universidade de maneira completa. A circulação pelo campus, os estudos em grupo, os espaços de convivência e a rotina compartilhada continuam sendo elementos essenciais da experiência universitária.

A dimensão da convivência no ambiente acadêmico

Ademais, existe uma dimensão da vida universitária que só aparece no cotidiano dos estudantes. A convivência exerce influência direta na permanência, no bem-estar e até no desempenho acadêmico. A pandemia evidenciou o impacto emocional do isolamento prolongado, especialmente entre jovens em fase de construção de autonomia.

Sendo assim, universidades e ambientes que promovem interação humana continuam tendo alto valor formativo. Mais do que absorver conteúdo, estudar envolve estar inserido em um contexto social que estimula descobertas, apoio mútuo e novas perspectivas.

O futuro do ensino superior

O comportamento atual do estudante brasileiro revela uma busca por conciliação. A flexibilidade do digital ganhou força ao atender realidades diversas. Ao mesmo tempo, a vivência presencial segue indispensável por oferecer interações humanas que ampliam o aprendizado e fortalecem a trajetória acadêmica. O ensino superior caminha para um ecossistema plural, em que diferentes modelos coexistem e respondem a necessidades distintas, sem que um invalide o valor do outro.

O avanço do EAD ao longo da última década evidenciou a urgência de ampliar o acesso ao ensino superior. Esse movimento foi importante e abriu portas para milhões de estudantes. No entanto, os últimos anos mostraram que a formação completa não depende apenas de flexibilidade ou conveniência. A experiência presencial continua essencial porque envolve convivência, construção de vínculos, amadurecimento emocional e sensação de pertencimento, elementos decisivos para o sucesso acadêmico e pessoal.

Por fim, Ewerton Camarano conclui: “O desafio dos próximos anos não é optar entre digital ou presencial, mas garantir que a ampliação do acesso alcance também a estrutura física. Ambientes que acolhem, promovem interação e acompanham a vida universitária permanecem indispensáveis para muitos jovens. O futuro do ensino superior será mais forte quando unir alcance e presença, ampliando oportunidades sem abrir mão da dimensão humana que caracteriza essa etapa.”

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