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Fluxo de caixa expõe fragilidade financeira de clínicas em janeiro

Fluxo de caixa expõe fragilidade financeira de clínicas em janeiro

O início do ano impõe um teste rigoroso à gestão financeira das clínicas médicas. Entre janeiro e março, a combinação entre agenda reduzida, férias de profissionais e pacientes, e custos fixos inadiáveis, cria um ambiente de pressão sobre o fluxo de caixa. Esse cenário se repete anualmente, mas ganha peso em um setor que vem enfrentando aumento contínuo de despesas operacionais.

Sazonalidade e Despesas

Dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, mostram que atividades ligadas à saúde apresentam oscilações sazonais no primeiro trimestre, com recuperação gradual ao longo dos meses seguintes. Na prática, isso significa que a entrada de recursos não acompanha, no mesmo ritmo, despesas como folha de pagamento, aluguel, contratos de manutenção, tecnologia e tributos.

Segundo o Dr. Éber Feltrim, especialista em gestão de negócios para a área da saúde e CEO da SIS Consultoria, o problema central está na forma como o caixa é organizado no começo do exercício. “O primeiro trimestre costuma expor um desalinhamento clássico: custos estruturais mantidos no pico e receitas em fase de retomada. Sem planejamento financeiro de curto prazo, o gestor perde capacidade de reação”, diz.

Falta de planejamento agrava a situação

Um dos erros mais frequentes, segundo Feltrim, é não trabalhar com projeções mensais detalhadas. “Muitas clínicas iniciam o ano apenas repetindo o orçamento anterior, sem considerar a sazonalidade real da demanda. O resultado é falta de previsibilidade e decisões tomadas no improviso”, afirma.

Além disso, outro fator que agrava o cenário é a mistura entre finanças pessoais e empresariais. Levantamento do Sebrae aponta que a ausência de separação entre contas é uma das principais causas de desorganização financeira em pequenos e médios negócios, com impacto direto no controle do caixa. “Quando o gestor não define pró-labore e retira recursos conforme a necessidade pessoal, o caixa deixa de refletir a realidade da clínica”, explica.

Importância do acompanhamento financeiro

Estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que empresas da área da saúde que acompanham indicadores financeiros de forma recorrente conseguem ganhos relevantes de eficiência operacional, especialmente em períodos de menor demanda. Para Feltrim, esse acompanhamento precisa começar em janeiro. “O trimestre inicial é decisivo para ajustar agenda, renegociar contratos e alinhar custos à capacidade real de atendimento”, diz.

Análise de rentabilidade por serviço

Ademais, a análise da rentabilidade por serviço ganha importância nesse período. “Nem todo procedimento contribui da mesma forma para o caixa. Identificar margens e entender quais serviços sustentam a operação ajuda a atravessar o primeiro trimestre com menos risco”, afirma.

Para o especialista, clínicas que tratam o início do ano como etapa estratégica, e não apenas como um período de baixa, conseguem reduzir o impacto financeiro ao longo do exercício. “Janeiro não é só um mês difícil. É o momento em que a gestão mostra se o negócio tem controle, previsibilidade e base financeira para crescer”, conclui.

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