A educação inclusiva é um tema crucial, demandando atenção contínua tanto no ambiente familiar quanto no escolar. A conscientização de pais e professores se mostra fundamental para fortalecer a identidade, promover o desenvolvimento integral e ampliar a autonomia de crianças e jovens com deficiência.
De acordo com o Censo de 2022, aproximadamente 10 milhões de brasileiros apresentam algum grau de deficiência auditiva. Este dado evidencia a necessidade urgente de ampliar a representatividade, o acesso e a inclusão em todas as esferas da sociedade.
Compreendendo a Experiência Visual e a Inclusão
Nesse contexto, o professor e escritor Filipe Macedo, que possui perda auditiva bilateral, compartilha cinco dicas essenciais para avançar na construção de práticas mais inclusivas e empáticas. A inclusão de crianças surdas começa quando abandonamos o olhar de ‘falta’ ou ‘deficiência’ e passamos a enxergar a potência da experiência visual.
A surdez não é um obstáculo, mas sim uma característica que exige adaptações específicas para garantir o pleno desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Dessa forma, é possível criar ambientes seguros onde a comunicação e o aprendizado possam florescer.
Conhecido como ‘Passarinho’ e autor do livro ‘Família da Libras – Sentimentos’, Macedo reforça que a maior barreira para uma criança surda não é o silêncio, mas a exclusão comunicativa dentro de casa ou na sala de aula.
5 Dicas Essenciais para Promover a Inclusão e a Empatia
A partir das experiências e obras do escritor, apresentamos cinco dicas essenciais para promover a inclusão e a empatia:
1. Garanta que a Criança Esteja Olhando para Você
Para a criança surda, o rosto é a principal fonte de informação. Antes de começar a falar ou sinalizar, certifique-se de que a criança está olhando para você. Além disso, use expressões faciais que correspondam à mensagem: alegria deve ser expressa com um sorriso, e alertas devem ser transmitidos com seriedade.
2. Invista em Recursos Visuais
O cérebro da criança surda é altamente visual. Utilize figuras, desenhos, mapas mentais e objetos reais para explicar conceitos abstratos. Em sala de aula, o uso de recursos visuais não beneficia apenas o aluno surdo, mas torna o aprendizado mais rico para todos os alunos.
3. LIBRAS como Ferramenta de Identidade
Mesmo que a criança utilize aparelhos auditivos ou implante coclear, a LIBRAS é uma ferramenta de identidade e conforto. Ter acesso a uma língua de modalidade visual-espacial garante que a criança não sofra de ‘privação linguística’.
4. Atenção à Iluminação
Um ambiente escuro é, para o surdo, o equivalente a um ambiente barulhento para um ouvinte. Garanta que a luz esteja sempre de frente para quem fala/sinaliza e nunca atrás (o que cria sombras no rosto). Na escola, posicione a criança em um lugar estratégico onde ela tenha uma visão ampla da sala e do professor.
5. Apresente Referências Positivas
Apresente referências de adultos surdos ou com deficiência auditiva bem-sucedidos para a criança. É fundamental que a criança entenda que ela pode ser o que quiser. Evite superproteção; incentive-a a resolver pequenos problemas e a se comunicar com o mundo, mostrando que a surdez é apenas uma parte de quem ela é, e não o todo.
O acolhimento começa quando a família e a escola decidem aprender a escutar verdadeiramente a criança — seja pela Libras ou pela leitura visual do mundo —, estabelecendo vínculos reais de comunicação.
— Filipe Macedo, professor e escritor



