O carro próprio voltou a ocupar um lugar de destaque no planejamento financeiro das famílias brasileiras. Isso se deve ao aumento dos preços dos veículos, das despesas como IPVA, seguro e manutenção, e das taxas de crédito tradicionais, que seguem elevadas. Apesar de um consumo mais cauteloso, dados do setor automotivo indicam que a intenção de compra se mantém, impulsionada por modelos de aquisição sem juros, como o consórcio.
Preços elevados e a busca por alternativas
Levantamentos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram que os preços médios dos automóveis novos permanecem altos, refletindo custos industriais, câmbio e ajustes na cadeia produtiva. No mercado de usados, a valorização também persiste, encarecendo a troca de veículo e exigindo maior organização financeira.
Leonardo Baldez, economista e educador financeiro, avalia que a volta do carro ao radar não está ligada apenas ao desejo de consumo, mas a uma decisão prática. Além disso, o especialista complementa:
O custo de manter a mobilidade sem carro aumentou. Transporte por aplicativo, deslocamentos diários e demandas familiares passaram a pesar mais no orçamento, o que leva muitas famílias a reavaliar a compra do veículo próprio — Leonardo Baldez, economista e educador financeiro
Impacto das despesas fixas na decisão de compra
Além do valor de aquisição, as despesas fixas têm um peso decisivo na decisão. O IPVA, concentrado no início do ano, o seguro automotivo, que acompanha o valor dos veículos, e os custos de manutenção, impactados por peças e serviços mais caros, ampliam a cautela dos consumidores.
Nesse cenário, Baldez observa uma mudança de comportamento. Ele explica que, com juros elevados, o financiamento tradicional encarece o custo final do carro. Por isso:
O consórcio surge como uma alternativa de planejamento, permitindo diluir o valor sem a incidência de juros. A previsibilidade das parcelas se tornou um diferencial relevante — Leonardo Baldez, economista e educador financeiro
Consórcio como ferramenta de planejamento familiar
Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) indicam que o consórcio de veículos mantém crescimento consistente, com tickets médios mais acessíveis em relação ao financiamento. O modelo permite a compra de carros novos ou usados, além de motos e utilitários, com prazos mais longos e menor impacto imediato no orçamento.
Baldez ainda destaca que:
O consórcio deixou de ser uma opção distante. Hoje ele é visto como instrumento de organização financeira, especialmente para quem não tem pressa e quer evitar o custo dos juros. O formato também atrai consumidores mais jovens, que priorizam planejamento em vez de endividamento imediato — Leonardo Baldez, economista e educador financeiro
Diversificação dos perfis de aquisição
De acordo com o economista, é possível identificar três perfis predominantes. O primeiro é o de famílias que buscam o primeiro carro, motivadas por mudanças na rotina ou pelo aumento do custo do transporte diário. O segundo envolve consumidores que planejam a troca do veículo e utilizam o consórcio como forma de organizar a compra. O terceiro perfil é formado por pequenas e médias empresas (PMEs), que recorrem ao modelo para renovar ou ampliar frotas.
Consórcio para PMEs: gestão de caixa eficiente
No caso das PMEs, o consórcio funciona como ferramenta de gestão de caixa. A empresa consegue planejar a renovação da frota sem comprometer o capital de giro.
Planejamento financeiro como prioridade
Especialistas alertam que, apesar da retomada do interesse pelo carro próprio, a decisão exige uma visão ampla dos custos envolvidos. Não basta olhar apenas a parcela do consórcio. IPVA, seguro e manutenção precisam estar no planejamento desde o início.
Com a perspectiva de manutenção do crédito caro no curto prazo, a tendência é que alternativas sem juros sigam em evidência. Afinal, o consumidor busca mobilidade sem comprometer a saúde financeira. Esse equilíbrio passou a orientar as decisões.






