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Maldade em análise: a mente do criminoso e a justiça

Maldade em análise: a mente do criminoso e a justiça

O Brasil tem acompanhado estarrecido, nas últimas semanas, crimes como o do médico que matou colegas e o de adolescentes que mataram um cachorro. Tais eventos levantam questões sobre o que leva pessoas sem histórico criminal a cometer atos de violência.

A mente por trás do crime

A psicanalista Elizandra Souza, com mais de 20 anos de experiência clínica e acadêmica, investiga a maldade. Mestre em Educação e especialista em Direito Penal, a autora do livro “As Sombras do Eu – Psicopatologias da maldade” busca oferecer um olhar sobre as raízes psíquicas da agressividade extrema.

Em sua obra, Elizandra une a formação psicanalítica aos conhecimentos sobre violência e direito, buscando compreender o que leva um indivíduo a cometer um crime. Afinal, seria um desvio isolado ou a manifestação de algo mais profundo?

Afinal, o que explica a violência?

Em entrevista, a especialista pode comentar:

  • O que explica a aparente ampliação de comportamentos violentos em sociedades urbanas e hiperconectadas;
  • A influência de fatores como isolamento social, anonimato digital, consumo contínuo de conteúdos agressivos e pressões socioeconômicas;
  • A diferença entre violência estrutural (associada a desigualdades sociais) e violência individual extrema;
  • Qual a relação entre fragilidade de vínculos familiares, sensação de desamparo e a emergência de comportamentos destrutivos?;
  • O que diferencia uma agressão impulsiva de uma violência extrema aparentemente irracional?.
  • É possível identificar sinais psíquicos que antecipem comportamentos violentos?

Além disso, a obra de Elizandra Souza propõe um deslocamento necessário: antes de punir o ato, é preciso compreender quem o executa. Publicada pela editora Quiçá Books, a obra convida os leitores a encararem o crime como um fenômeno que vai além da infração legal.

Com uma abordagem interdisciplinar, o livro articula Criminologia e Psicanálise para mostrar como a conduta transgressora é atravessada pelo inconsciente, pela história e pelas estruturas sociais, revelando conflitos psíquicos profundos e a forma singular como cada indivíduo se posiciona diante da Lei.

Responsabilidade subjetiva

A proposta central da obra é a defesa da responsabilidade subjetiva. Para a psicanalista, a sanção só adquire sentido quando há reconhecimento da própria ação, pois sem esse assentimento, o castigo se reduz a um procedimento automático, incapaz de produzir responsabilização ética.

Ao longo do livro, são analisadas estruturas clínicas como neurose, psicose e perversão, além da tipologia lacaniana dos crimes do Supereu, do Eu e do Isso. Esses modelos permitem compreender desde atos marcados por culpa inconsciente até condutas impulsivas, nas quais não há mediação simbólica nem remorso.

A psicopatia também é abordada como uma estrutura complexa, que desafia leituras reducionistas e respostas penais tradicionais. Mais do que um debate teórico, o livro oferece reflexões práticas para o campo jurídico, clínico e social.

A maldade não é uma exceção restrita a poucos, mas uma possibilidade inerente à condição humana e que uma justiça que desconsidera a subjetividade enfraquece sua função simbólica.

Ao dialogar com questões centrais do nosso tempo, como o punitivismo, a banalização da violência e o esvaziamento da responsabilidade ética, a autora reafirma a importância de compreender o humano em sua complexidade.

As Sombras do Eu é um convite a repensar o crime, a justiça e a responsabilidade para além do julgamento imediato e da punição automática. Ao lançar luz sobre aspectos frequentemente silenciados da experiência humana, Elizandra Souza propõe uma reflexão crítica sobre certezas morais e reafirma a importância de reconhecer o sujeito como autor de seus atos.

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