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Sisbajud impulsiona recuperação de crédito e combate blindagem patrimonial

Sisbajud impulsiona recuperação de crédito e combate blindagem patrimonial

O avanço do Sisbajud (Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário) tem se mostrado um importante aliado na recuperação de crédito e no combate à blindagem patrimonial no Brasil. Em 2025, o sistema alcançou o maior resultado desde sua criação, impulsionado pela agilidade na localização de bens e pela redução das estratégias de devedores para ocultar patrimônio.

Recorde de recuperação de crédito em 2025

De acordo com dados oficiais, o Sisbajud recuperou R$ 58,34 bilhões ao longo de 2025, um aumento de quase 100% em relação aos R$ 31,21 bilhões registrados em 2024. Além disso, o número de ordens de bloqueio também cresceu significativamente, superando 23,8 milhões, o que representa uma alta de 46% na comparação anual.

Para o advogado Paulo De Maria, especialista em Recuperação de Crédito do escritório Barcellos Tucunduva Advogados, os números refletem uma mudança estrutural na condução das execuções judiciais no país. Segundo ele, a intensificação e a padronização do uso do Sisbajud após a Resolução nº 584/2024 consolidaram a ferramenta como canal preferencial para bloqueios judiciais, trazendo mais uniformidade e eficiência ao procedimento.

Esse avanço está diretamente ligado à intensificação e à padronização do uso do Sisbajud após a Resolução nº 584/2024, que consolidou a ferramenta como canal preferencial para bloqueios judiciais, trazendo mais uniformidade e eficiência ao procedimento.

— Paulo De Maria, especialista em Recuperação de Crédito do escritório Barcellos Tucunduva Advogados

Evolução operacional e impacto nos credores

Além do marco normativo, o especialista aponta que houve uma evolução operacional do sistema. Os tribunais estão mais integrados e os operadores do direito passaram a utilizar o Sisbajud de forma mais estratégica. Isso, consequentemente, aumenta a taxa de recuperação e reduz o tempo entre a decisão judicial e o recebimento do crédito.

De acordo com De Maria, o impacto é especialmente positivo para os credores, uma vez que o uso recorrente do sistema diminui o espaço para manobras de ocultação patrimonial. Funcionalidades como a “teimosinha”, que permite bloqueios reiterados por vários dias consecutivos, reduzem o chamado “jogo do esconde” na execução. Assim, o processo deixa de ser meramente simbólico e passa a gerar resultados concretos.

O uso recorrente do sistema diminui o espaço para manobras de ocultação patrimonial. Funcionalidades como a ‘teimosinha’, que permite bloqueios reiterados por vários dias consecutivos, reduzem significativamente o chamado ‘jogo do esconde’ na execução.

— Paulo De Maria, especialista em Recuperação de Crédito do escritório Barcellos Tucunduva Advogados

Implicações para empresas e devedores

O aumento das ordens de bloqueio também altera a dinâmica das disputas cíveis para empresas e devedores. O bloqueio deixou de ser exceção e passou a integrar a rotina da execução, gerando maior previsibilidade de constrição patrimonial, acelerando negociações e desestimulando a inadimplência estratégica.

No entanto, para as empresas, esse cenário exige maior organização financeira e acompanhamento processual, já que bloqueios podem impactar diretamente o fluxo de caixa. Outro ponto relevante é a ampliação do alcance do Sisbajud, que hoje vai além do saldo em conta corrente tradicional.

Desafios e perspectivas futuras

Apesar dos avanços, ainda existem desafios a serem superados. Segundo De Maria, nem todos os ativos circulam em instituições plenamente alcançadas pelo sistema, especialmente no universo das fintechs. Por isso, uma resposta negativa não significa necessariamente ausência de patrimônio, mas pode indicar a necessidade de aprofundar a investigação.

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